Ração seca ou húmida?
A escolha do tipo de ração a dar ao nosso animal de estimação é uma das questões que mais se coloca nas visitas ao veterinário. Esta escolha é baseada em vários factores, nomeadamente, a idade, a raça e eventuais problemas de saúde que o animal tenha. Independentemente da escolha, a ração deverá ser sempre de boa qualidade, pois isso reflectir-se-à na saúde do seu animal – rações ricas em sal e açúcar deverão ser evitadas.
Nos animais de raça grande recomendamos, habitualmente, ração seca pois estes animais exigem um aporte calórico diário bastante elevado, sendo, consideravelmente, mais dispendioso alimentá-los com comida húmida. A comida seca permite também um armazenamento e conservação mais adequados.
Nos animais de raça pequena, a comida húmida pode ser uma opção em termos de custo, no entanto, a comida seca acaba por ser uma melhor opção em termos de higiene dentária. A comida seca auxilia na limpeza dos dentes e na prevenção do tártaro, pois o animal no processo de mastigação sofre um certo atrito do próprio granulado. Assim sendo, também quanto maior o granulado, maior o atrito e, consequentemente, menor a formação de tártaro. Isto não significa que não possa fornecer comida húmida ao seu animal – pode fazê-lo mas deverá ter especial atenção à higiene dentária do seu animal.
Os animais com patologias crónicas exigem uma dieta adequada à sua patologia, seja ela húmida ou seca. Nos animais com problemas renais ou urinários, por exemplo, o aporte de água deve ser superior, aconselhando-se neste caso uma dieta húmida, já que esta apresenta cerca de 80% de água, ao contrário da seca que apresenta apenas 10%.
Aconselhe-se com o seu médico veterinário sobre a melhor dieta para o seu animal de estimação.
Janeiro 23, 2010
Insuficiência cardíaca canina
A insuficiência cardíaca, em cães geriátricos, está habitualmente relacionada com problemas na válvula mitral. Esta válvula situa-se do lado esquerdo do coração e impede o refluxo do sangue do ventrículo esquerdo para o átrio esquerdo.
O sangue circula dentro do coração no sentido átrio-ventrículo como se de uma bomba se tratasse. Esta tarefa é em muito facilitada pelas válvulas, que funcionam como cancelas impossibilitando que o sangue circule no sentido contrário (ventrículo-átrio). Quando o animal envelhece, as válvulas começam a ter um comportamento deficiente, principalmente a do lado esquerdo, dando origem a insuficiência cardíaca. O coração começa então a ter que fazer um maior esforço para manter o sentido natural do fluxo sanguíneo e a insuficiência cardíaca surge.
A insuficiência cardíaca relacionada com a válvula mitral é mais frequente nos cães de raça pequena. Os sintomas mais frequentes são:
- hipertensão arterial;
- tosse devido a edema pulmonar (acumulação de líquido nos pulmões);
- intolerância ao exercício;
- morte nos casos mais graves e descompensados.
Uma vez surgida, a insuficiência cardíaca não tem cura. O seu tratamento consiste em retardar o processo evolutivo da sobrecarga cardíaca, diminuindo ou mesmo eliminando os sintomas exibidos pelo cão e, consequentemente, melhorar a sua qualidade de vida. A medicação consiste em fármacos que melhoram o funcionamento do músculo cardíaco e diuréticos, quando a acumulação de líquido no corpo do animal é considerável. O dono deverá limitar o exercício físico intenso, pois a excitação poderá desencadear o aparecimento de sintomas, nomeadamente tosse. O uso de dietas pobres em sal é também aconselhável.Se o animal tiver excesso de peso deverá iniciar imediatamente um regime hipocalório de emagrecimento.
Na insuficiência cardíaca, o diagnóstico precoce é essencial para prevenir uma evolução demasiado rápida da doença. Uma vez detectada a insuficiência cardíaca, o animal deverá ser medicado conforme a gravidade da doença. Aconselhe-se com o seu médico veterinário e não se esqueça do check-up semestral do seu cão geriátrico.
Janeiro 14, 2010
Síndrome do braquicéfalo
Os cães e gatos braquicéfalos caracterizam-se por terem o focinho “metido para dentro”. Os ossos da face e do nariz são mais curtos, fazendo com que a anatomia dos tecidos subjacentes se altere. As narinas são muitas vezes mais estreitas e o palato é, normalmente, mais longo. Todas estas alterações estruturais fazem com que o animal tenha maior dificuldade a respirar e, consequentemente, faça um maior esforço respiratório. Este esforço sucessivo pode deixar sequelas com o passar do tempo, nomeadamente a nível cardíaco, com insuficiência cardíaca direita.
Algumas raças braquicéfalas incluem Bulldog, Boxer, Pug e Shitzu nos cães e Persa e Himalaia nos gatos.
Os sintomas mais frequentes neste síndrome são:
- respiração pesada e sonora;
- intolerância ao exercício;
- ronco;
- engasgo e tosse;
- cianose (tons azulados nas mucosas);
- colapso nos casos mais graves.
Além destes sintomas, estes animais são também mais susceptíveis a:
- golpes de calor;
- posições ortopneicas: por forma a respirar melhor, o animal estica o pescoço e abre os membros anteriores;
- doença periodontal;
- problemas oculares;
- dermatite das pregas de pele do focinho.
Quando as alterações anatómicas destes animais são muito acentuadas e detectadas precocemente (em cachorros ou gatinhos) podemos optar por atenuá-las cirurgicamente.
Devido à sua configuração, as raças braquicéfalas são mais sensíveis à anestesia e devem ser monitorizadas com especial atenção. Se tem um animal braquicéfalo em casa, aconselhe-se com o seu veterinarário acerca dos cuidados que deve ter.
Janeiro 4, 2010
Boas Festas em segurança
Durante a época festiva tenha especial atenção com as decorações festivas e com a localização da comida. Por vezes, estamos tão atarefados com a preparação da época festiva, que nos esquecemos que os nossos animais poderão ter acesso a objectos e comida perigosos para eles. Assim sendo, deixo aqui várias dicas que poderão evitar desastres maiores em sua casa:
- coloque sempre a comida num local de difícil acesso ao seu animal, tendo especial atenção com os chocolates, bem como, com os ossos e espinhas dos restos de comida que sobra;
- deve ter especial cuidado com os ornamentos natalícios que podem ser “brinquedos” especialmente atraentes para os seus animais – bolas, fitas, presépios e velas acesas podem ser potencialmente perigosos;
- plantas muito coloridas podem ser tóxicas para o seu animal – coloque-as sempre num local de difícil acesso ao seu animal;
- evite decorar a árvore de natal com doces, pois os seus animais poderão facilmente roubá-los;
- evite colocar os presentes debaixo da árvore de natal – o seu animal pode considerá-los atraentes e roe-los ou mesmo comê-los.
Passe uma boa quadra festiva, em segurança, na companhia dos seus animais de companhia. Boas Festas!
Dezembro 23, 2009
Megaesófago
O megaesófago é uma doença que se caracteriza por uma diminuição ou mesmo ausência de motilidade (movimento que conduz os alimentos da boca para o estômago) a nível do esófago. Com a diminuição da motilidade, os alimentos têm dificuldade em chegar ao estômago e o animal vai regurgitá-los. À medida que essa diminuição da motilidade se torna persistente, o esófago terá tendência a dilatar, não recuperando o seu diâmetro normal, originando o chamado megaesófago.
O megaesófago pode ser congénito ou adquirido, manifestando-se em qualquer idade da vida do animal. O megaesófago adquirido pode ser primário ou secundário a outras patologias que devem ser descartadas para um melhor tratamento da doença. Pode ocorrer tanto em cães como em gatos, sendo mais frequente em cães.
Os animais com megaesófago têm dificuldade em manter um aporte nutricional apropriado devido à dificuldade de conduzirem os alimentos ao estômago.
Os sintomas mais frequentes desta patologia são:
- regurgitação;
- febre;
- tosse;
- corrimento nasal;
- dificuldade em deglutir;
- mau hálito muito acentuado;
- perda de peso;
- pneumonia por aspiração nos casos mais graves.
O tratamento do megaesófago consiste na identificação da causa subjacente à doença, na diminuição da frequência da regurgitação, fornecer o aporte nutricional adequado e evitar possíveis complicações como por exemplo a pneumonia por aspiração.
A alimentação é de extrema importância no melhoramento do estado de saúde do animal. Eis algumas indicações para melhorar a sua alimentação:
- deve alimentá-lo num patamar mais elevado e dançar com ele no final de cada refeição, para que os alimentos cheguem mais facilmente ao estômago por efeito da gravidade;
- a dieta deve ser hipercalórica e administrada várias vezes ao dia em pequenas porções;
- a consistência do alimento varia conforme o paciente – alguns toleram melhor uma dieta líquida, outros toleram melhor uma dieta mais consistente.
Podemos também utilizar fármacos que aceleram a motilidade gastro-intestinal, contudo, estes fármacos funcionam melhor quando a distensão do esófago não é acentuada.
O megaesófago é uma doença que exige grande dedicação e atenção por parte do dono. Só assim, o animal poderá melhorar a sua condição. Informe-se com o seu veterinário sobre esta patologia.
Dezembro 16, 2009
Síndrome de dilatação-torção gástrica em cães
O síndrome de dilatação-torção gástrica é uma urgência veterinária, extremamente grave, que põe em risco a vida do animal e que deve ser imediatamente assistida por um médico veterinário, assim que for detectada pelo dono. O animal pode morrer ao fim de poucas horas devido à dilatação-torsão gástrica; cerca de 25-30% dos pacientes acabam por morrer, mesmo com tratamento adequado.
Este síndrome caracteriza-se por uma primeira parte de dilatação e uma segunda parte de torção do estômago. Na dilatação, o estômago enche-se de ar e começa a fazer pressão noutros orgãos da cavidade abdominal e no diafragma, fazendo com que o animal vá tendo, progressivamente, maior dificuldade a respirar. Estando dilatado, o estômago pode facilmente girar em torno do seu próprio eixo (torção), conduzindo, progressivamente, a uma diminuição no seu aporte sanguíneo. O tecido gástrico começa a morrer (necrose) e os outros orgãos vitais começam a falhar – nesta fase o estado do animal deteora-se muito rapidamente.
Nem todos o cães que sofrem dilatação gástrica desenvolvem torção. Contudo, todos o que fazem torção gástrica tiveram anteriormente dilatação.
Existe, nitidamente, uma predisposição genética neste síndrome – as raças grandes e gigantes são as mais afectadas por esta doença. Dentro destas raças, os animais de peito mais profundo e estreito são mais predispostos. Pode ocorrer em qualquer idade, contudo é mais frequente em animais acima dos 7 anos de idade. Os cães que comem uma única vez ao dia têm o dobro da probabilidade de desenvolver dilatação-torção gástrica do que os cães que fazem várias refeições diárias.
Os sintomas mais frequentes são:
- dilatação e dor abdominal;
- tentativa de vómito;
- dificuldade respiratória;
- estado de choque, nos casos mais graves.
O tratamento da dilatação-torção gástrica passa pela estabilização do estado clínico do animal e posterior cirurgia. A cirurgia consiste na verificação do estado do estômago e dos outros orgãos abdominais, nomeadamente o baço, que também pode estar torcido nestas situações, na reposição do estômago à sua posição normal e na sutura do estômago à parede abdominal (gastropéxia) para evitar futuras recidivas. O pós-operatório exige uma monitorização constante do paciente para detectar possíveis complicações, nomeadamente, arritmias, ulcerações gástricas e lesões a nível de outros orgãos vitais.
A prevenção da dilatação-torção gástrica passa por:
- alimentar o animal várias vezes ao dia;
- controlar a ingestão de água após a refeição se o animal for muito sôfrego a beber;
- evitar o exercício físico intenso ou situações de stress antes e após a refeição;
- estar atento aos sinais clínicos do animal após as refeições, principalmente se o animal for de uma raça predisposta.
O síndrome de dilatação-torção gástrica é uma condição muito grave, que deve ser detectada precocemente pelo dono do cão. Aconselhe-se com o seu veterinário acerca desta patologia.
Dezembro 8, 2009
Será que os gatos caem sempre de pé?
Frequentemente dizemos que todos os gatos caem de pé. Contudo, isso nem sempre acontece. Quando os gatos caem de uma altura relativamente baixa, frequentemente conseguem girar no ar e aterrar de pé. No entanto, quando a altura é superior a cerca de dois andares, os gatos podem sofrer lesões muitos graves, que podem mesmo ser fatais.
A facilidade com que o gato gira no ar e cai de pé deve-se às características anatómicas do seu esqueleto. Os gatos apresentam clavículas muito rudimentares que não se unem a nenhum dos outros ossos do seu esqueleto, sendo apenas suportadas pela massa muscular dos seus ombros. Isto faz com que, facilmente, as suas patas dianteiras tenham uma rotação fora do vulgar e o seu corpo possa facilmente adaptar-se a novas posições. Assim, durante uma queda, as patas são a primeira estrutura a tocar no solo, absorvendo o impacto da colisão.
Se o gato cair de uma altura superior a dois andares, pode conseguir girar no ar para adquirir um bom posicionamento para a queda, no entanto as patas não conseguirão absorver todo o impacto da colisão. Nestas situações, é frequente surgirem traumatismos a nível torácico e/ou abdominal, bem como fracturas ósseas a nível dos membros e/ou crânio.
Independentemente da altura em que o gato vive, mantenha sempre a janelas fechadas, por forma a impedir a sua saída. Mesmo quedas de alturas mais baixas podem provocar lesões muito graves ou mesmo fatais – por vezes encontram obtáculos pelo caminho, que os impedem de girar no ar e cair de pé, nomeadamente estendais da roupa. Nunca esqueça que o gato não vai aprender com a queda – se vir a janela aberta uma segunda vez pode voltar a atirar-se. Mais vale prevenir…
Dezembro 1, 2009
Peritonite infecciosa felina (PIF)
A peritonite infecciosa felina, vulgarmente denominada por PIF, é uma doença viral, habitualmente, progressiva e fatal em gatos. O vírus envolvido no PIF é um coronavírus modificado, ou seja, a grande maioria dos gatos tem a forma benigna do coronavírus mas só nalguns gatos esse vírus sofre mutações e transforma-se num vírus altamente patogénico, originando o PIF.
Os gatos jovens ou com doenças que deprimam o seu sistema imunitário, como por exemplo, FIV (vírus da imunodeficiência felina) ou FeLV (vírus da leucose felina), são mais sensíveis a contrairem o PIF.
Este vírus pode resistir durante várias semanas no meio ambiente, mas é facilmente eliminado por uma lavagem com detergentes e desinfectantes. Daí a importância de uma boa limpeza e desinfecção do local onde possam ter estado portadores de PIF.
O PIF pode manifestar-se de duas formas: a forma seca ou não-exsudativo e a forma exsudativa, sendo esta última mais frequente. O PIF exsudativo caracteriza-se pela acumulação de líquido no abdómen e/ou no tórax do animal . Nestes casos, o principal sintoma é a dificuldade respiratória. No PIF seco, a acumulação de líquido nas cavidades é pouco frequente e os sintomas são muito pouco específicos, podendo confundir-se facilmente com outras doenças.
Apesar desta divisão, em termos de nomenclatura, dos dois tipos de PIF, os sintomas mais frequentes que podem aparecer são:
- febre;
- letargia;
- perda de apetite com consequente perda de peso;
- vómito e/ou diarreia;
- icterícia (tom amarelado das mucosas);
- abdómen distendido e dificuldade respiratória no caso do PIF exsudativo;
- sintomas neurológicos.
O diagnóstico do PIF faz-se com base nos sintomas do animal. Não existem testes específicos para o PIF – mesmo a titulação de anticorpos contra o cornavírus não é específica pois não diferencia entre o coronavírus patogénico e o não-patogénico.
Quanto ao tratamento, não existe nada específico para o PIF. O tratamento é feito com base nos sintomas que o animal apresenta e na gravidade da situação. O prognóstico de PIF é sempre reservado. Se o seu gato apresentar algum dos sintomas mencionados acima não hesite em levá-lo de imediato ao seu veterinário.
Novembro 24, 2009
Síndrome da cauda equina em cães (estenose lombossagrada)
O síndrome da cauda equina, também designado por estenose lombossagrada, é o termo usado para descrever um processo de artrite na junção entre a última vértebra lombar e o sacro. Este processo de artrite causa um estreitamento no canal medular, fazendo pressão nos nervos que saem da medula, originando lesões a nível neurólogico. Grande parte das vezes, o próprio disco intervertebral tem também uma conformação anormal, predispondo ao tal estreitamento do canal medular.
Os sintomas mais frequentes são:
- dor: a maior parte dos animais apresenta dor no terço posterior do corpo – zona lombar, patas e cauda;
- rigidez muscular: normalmente melhora com o início do andamento;
- perda de massa muscular: devido ao desconforto, o animal protege-se usando menos os membros posteriores;
- dificuldade a urinar ou defecar ou mesmo incontinência urinária devido a lesões neurológicas;
- arrastamento dos dedos dos membros posteriores.
Por vezes, estes sintomas podem confundir-se com os de displasia de anca (tema que será bordado brevemente neste blog) e é fundamental distinguir as duas patologias.
O síndrome da cauda equina ocorre, geralmente, em animais de raça grande. Pode ser congénito ou adquirido e os primeiros sintomas surgem entre os 3 e os 7 anos de idade. O Pastor Alemão parece ser a raça mais propícia para esta doença.
O diagnóstico faz-se através de mielografias que são radiografias que usam um líquido de contraste para evidenciar o estreitamento intervertebral. O animal terá que estar, obviamente, anestesiado para que seja possível injectar o tal líquido de contraste.
O tratamento deste síndrome depende da sua gravidade. Nos casos menos graves, recomenda-se repouso absoluto durante várias semanas e animal estará sob o efeito de anti-inflamatórios para lhe retirar a dor. O repouso, por muito difícil que seja de fazer, é fundamental para que a medicação comece a surtir efeito. Periodicamente, o animal voltará a ter crises desta patologia. Nos casos mais graves, opta-se pela cirurgia. Também nesta situação o animal estará sob o efeito de anti-inflamatórios e terá que estar confinado durante várias semanas.
O prognóstico do síndrome da cauda equina varia conforme a gravidade dos sintomas. Quando o animal já não consegue urinar normalmente, significa que já há uma compressão neurológica acentuada e, nesses casos, o prognóstico torna-se bem mais reservado.
A rapidez no diagnóstico e no tratamento pode fazer toda a diferença.
Novembro 17, 2009
Flatulência: um problema a controlar
Apesar da produção de gás fazer parte do normal processo de digestão, alguns animais produzem muito mais que outros, o que pode trazer sérios inconvenientes a quem está à sua volta.
A flatulência pode ser atenuada através da alteração de algumas rotinas diárias:
- obrigue-o a comer devagar: na maioria dos casos, a flatulência é causada pelo excesso de ar que é engolido pelo animal aquando da ingestão do alimento. Tente colocar um brinquedo dele dentro da própria tigela da comida; isto fará com que ele não consiga ser tão sôfrego a comer, pois tentará contornar o próprio brinquedo. Se tiver mais que um animal em casa, separe-os na hora das refeições para que não haja competição entre eles a ver quem come mais rápido;
- coloque a tigela da comida mais elevada: compre um suporte de tigela da comida para que o animal não tenha que se baixar tanto para a comer – quanto mais baixa a comida estiver, mais ar o animal irá engolir;
- passeie depois da refeição: pequenos passeios depois da refeição ajudam o processo de digestão, facilitanto a eliminação do gás. Nunca deverá fazer exercício muito intenso após a refeição, apenas uma actividade muito ligeira;
- mudança de ração: se nota que o seu animal continua com muita flatulência, experimente mudar de alimentação para uma dieta de fácil digestibilidade. Faça sempre uma mudança gradual na alimentação, misturando a ração nova com a ração a que o animal está habituado. As dietas de elevada digestibilidade diminuem, consideravelmente, a produção de gás na digestão;
- aumente o número de refeições: se dividir a dose diária de comida por 2 ou 3 refeições, o animal vai ingerir uma quantidade menor de comida de cada vez e consumirá menor quantidade de ar;
- controle os extras: evite dar comida para além da ração e esteja atento para ver se ele não come nada durante os passeios na rua.
Aconselhe-se com o seu veterinário assistente para tentar perceber a causa da flatulência no seu animal; só assim será mais fácil controlá-la.
Novembro 10, 2009
Pulgas – a grande praga
Começamos este blog com um tema que preocupa grande parte dos donos pelo menos uma vez em toda a vida do animal: as PULGAS.
As pulgas são consideradas ectoparasitas, ou seja, alojam-se no exterior do corpo do seu animal de estimação. Têm uma velocidade de multiplicação extremamente elevada, daí poderem ser consideradas como autênticas pragas quando a sua população não está controlada. Uma pulga é capaz de colocar até 50 ovos por dia!
A melhor forma de lidar com as pulgas é sem dúvida através da sua prevenção. Esta pode ser feita através da aplicação de um desparasitante externo directamente na pele do animal ou através de coleiras insecticidas (método menos eficaz no que diz respeito a pulgas) ou mesmo através do controlo a nível da multiplicação da pulga, ou seja, é administrado ao animal um fármaco que interrompe o ciclo de vida da pulga impedindo que esta se reproduza. Pode haver associação de vários métodos para obtermos uma prevenção mais eficaz. Nunca esquecer que a aplicação de um desparasitante externo requer sempre um período de ausência de banho, ou seja, se dá banho ao seu cão ou ao seu gato, a aplicação do produto não poderá ser feita no mesmo dia pois assim não terá eficácia. Consulte sempre a bula informativa sobre o modo de aplicação do produto ou em caso de dúvida consulte o seu médico veterinário.
Quando já existem pulgas no animal, necessariamente existirão no ambiente onde ele vive pois as pulgas vão largando para o ambiente os ovos que produzem, acabando estes por eclodir no meio ambiente. Sendo assim, podemos ter uma situação de “levar as mãos à cabeça” em que toda a casa está infestada e aí so uma empresa especializada poderá tomar conta do assunto ou, como segunda alternativa, teremos uma situação bem menos grave em que nós próprios, através da aplicação por toda a casa de insecticidas adequados, conseguimos controlar a praga. Nunca devemos esquecer de desparasitar o animal, bem como o local onde ele dorme.
Como vê é bem mais fácil optar por uma boa prevenção. Actualmente existe uma vasta gama de desparasitantes que podem ser usados no seu animal, basta aconselhar-se com o seu médico veterinário.
Nunca esqueça que a pulga, além do grande incómodo que causa no animal, também pode transmitir outros parasitas, nomeadamente parasitas intestinais. Se o seu animal tiver uma infestação de pulgas nunca se esqueça de desparasitá-lo também internamente. Se notar qualquer problema na pele do seu animal mesmo depois de ter controlado a população de pulgas, não hesite em levá-lo ao veterinário.
Boas prevenções!
Novembro 8, 2008
Ele chegou! E agora?
Os primeiros cuidados são de extrema importância nas primeiras semanas de vida do nosso animal de estimação. Dúvidas como onde dormir, o que comer, quando levá-lo ao veterinário, são algumas das perguntas mais frequentes dos donos.
Assim que o cachorro ou o gatinho entra em casa é importante criar-lhe um ambiente o mais aconchegante possível. Ter uma cama confortável é essencial e habituá-lo a dormir lá ainda mais. Muitas vezes os donos são tentados a deixá-los dormir na sua própria cama, mas não se podem esquecer que os primeiros hábitos irão definir a rotina do seu animal. Pode optar por colocar a cama do animal junto da sua mas habitue-o sempre a dormir na sua cama mesmo que isso implique um par de noites mal dormidas. É preferível fazer um esforço por habituá-lo à cama nas primeiras semanas de vida do que tê-lo a vida toda a partilhar o lençol consigo.
Em relação à alimentação, opte sempre pela ração. Mesmo com poucas semanas de vida, o seu animal facilmente se habituará à ração. Por volta das 4 semanas de vida, o cachorro ou o gatinho já está preparado para fazer a transição do leite materno para uma ração júnior. Muitas vezes amolecemo-la com um pouco de água morna para melhor aceitação. Conforme o seu crescimento depois adequaremos a ração às suas necessidades individuais. Quanto aos chamados “extras”, como o nome diz são mesmo extras, não devem ser a rotina mas sim um pequeno deslize esporádico. E nas primeiras semanas de vida devem ser sempre evitados.
Uma das grandes “batalhas” a travar neste início de vida do seu animal é definir o local para a urina e fezes. Os gatinhos desde muito cedo aprendem que devem ir ao seu caixote com areão. Com meia dúzia de tentativas já estão totalmente ensinados nesse campo. No cachorro a situação é um pouco mais dramática! Normalmente optamos por colocar jornais a marcar o “alvo” para a deposição das urinas e das fezes e colocamo-lo no local assim que acaba de comer. Assim que ele faz no sítio certo dê-lhe mimos e valorize-o. Quando não acerta no sítio, tenha paciência que melhores dias virão. É um trabalho de semanas ou mesmo meses mas não desespere porque ele em breve aprenderá onde deve fazer.
Por volta das 6 semanas no cachorro e das 8 semanas nos gatinhos deve ser administrada a primeira vacina. Não esquecer também a desparasitação contra vermes intestinais que deve ter início logo aos 15 dias de vida e deve ser repetida todos os meses até aos 6 meses de idade e depois 3 a 4 vezes por ano ao longo da sua vida.
E não se esqueça, muita brincadeira, muita paciência, ração e água sempre à disposição e bom crescimento!
Novembro 9, 2008
O perigo das carraças
Tal como nas pulgas, também nas carraças a prevenção é o mais importante. Actualmente existem inúmeros produtos eficazes na prevenção do aparecimento das carraças, exclusivos para carraças ou actuando tanto em carraças como em pulgas. Aconselhe-se com o seu médico veterinário sobre a melhor opção para o seu animal de estimação.
As carraças ao contrário das pulgas, não saltam. Sobem pelo pêlo do animal durante a sua passagem por um local contaminado. Alojam-se, alimentam-se do seu sangue e depositam os ovos no ambiente dando continuidade ao seu ciclo de vida. A altura ideal para o seu aparecimento é o início do calor com uma humidade considerável. De qualquer maneira podem existir todo o ano.
Podem transmitir várias doenças nomeadamente a tão conhecida febre da carraça. O animal não precisa estar infestado de carraças para contrair febre da carraça – basta que uma carraça infectada inocule o parasita.
A febre da carraça é relativamente comum nos cães e muitas vezes não dá sintomas imediatos. Esta doença é uma zoonose, ou seja transmite-se ao Homem, mas é muito importante que se diga que a única forma de transmissão é através da carraça. Um animal doente com febre de carraça não vai contaminar o seu dono. Brevemente teremos um artigo detalhado acerca desta patologia.
Não se esqueça que a prevenção é o melhor remédio.
Novembro 10, 2008
Higiene oral
Actualmente é frequente os donos referirem durante a consulta que o seu cão ou gato tem mau hálito. Esse mau hálito é causado por uma carga bacteriana relativamente elevada na boca do animal, que conduz necessariamente a outros problemas. Nos nossos animais de estimação os problemas mais frequentes são a acumulação de tártaro, as gengivites e, consequentemente, as periodontites que em último grau podem mesmo levar à queda do dente.
Nos cães, as raças pequenas são mais predispostas a ter doença periodontal. Isto deve-se em grande parte aos seus hábitos alimentares: maior quantidade de comida húmida e menor quantidade de ração seca. A “comida de lata” ou a comida caseira acumula-se nos dentes e espaços interdentários do animal, sendo a fonte ideal para desenvolvimento bacteriano. Os cães de raça grande, como comem ração com um granulado maior, têm um maior efeito de atrito à superfície do dente logo a acumulação de tártaro torna-se mais difícil. O caso dos gatos é semelhante aos cães de raças pequenas, se bem que nos gatos o problema mais frequente são as gengivites que não têm necessariamente uma causa alimentar.
Uma higiene oral rotineira é essencial para manter a boca do seu animal saudável. Actualmente existem uma série de produtos que promovem uma limpeza eficaz ajudando a prevenir a formação de tártaro. Entre eles encontram-se as pastas dentifrícas com as respectivas dedeiras para o dono poder escovar, os chamados snacks dentários ou ração específica para os dentes que normalmente tem um granulado de maior dimensão obrigando o animal a mastigar.
Por vezes, nem mesmo com uma rotina de limpeza diária conseguimos prevenir a acumulação de tártaro e nesses casos é necessário efectuar uma destartarização com ultra-sons. Aconselhe-se com o seu médico veterinário sobre o estado de saúde da boca do seu animal.
Novembro 12, 2008
Esterilização das fêmeas
A ovariohisterectomia, vulgarmente chamada de esterilização, é um procedimento bastante frequente na prática clínica. Consiste na remoção dos ovários e do útero tanto na gata como na cadela sob anestesia geral. O efeito prático que esta cirurgia produz é a ausência de cio.
Quais os benefícios da esterilização?
- prevenção de gestações indesejadas e de pseudogestações;
- prevenção de infecções uterinas – as chamadas piómetras;
- prevenção de tumores mamários – o aparecimento dos tumores mamários está directamente relacionado com as variações hormonais que ocorrem durante o ciclo éstrico da fêmea; quando a esterilização é efectuada antes do primeiro cio, por volta dos 6 ou 7 meses, a probabilidade de aparecimento de tumores mamários diminui em cerca de 90% nas fêmeas. Este facto é muito importante uma vez que nas cadelas 50% dos tumores mamários são malignos e nas gatas este número sobe para os 80%;
- controlo da população de animais de rua.
O único inconveniente da esterilização é o aumento de peso, nada que não possa ser resolvido com um cuidado maior com a alimentação do seu animal.
O uso de anticoncepcionais nas fêmeas, quer sob a forma de injecção quer sob a forma de comprimido, é totalmente contra-indicado, pois esta adição de hormonas acarreta um acréscimo na probabilidade tanto no aparecimento de tumores mamários como no aparecimento de piómetras. Só devem ser usados em casos muito excepcionais e não havendo mesmo nenhuma outra alternativa.
Aconselhe-se com o seu médico veterinário sobre a melhor altura para efectuar a cirurgia mas no caso de não querer esterilizar antes do primeiro cio lembre-se que nunca deve dar a pílula.
Novembro 15, 2008
A idade humana do seu animal
Idade humana do seu cão:
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IDADE DO CÃO |
IDADE HUMANA |
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|
Raças pequenas |
Raças médias |
Raças Grandes |
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|
6 meses |
17 anos |
12 anos |
6 anos |
|
12 meses |
22 anos |
20 anos |
12 anos |
|
18 meses |
25 anos |
23 anos |
16 anos |
|
2 anos |
27 anos |
25 anos |
22 anos |
|
4 anos |
29 anos |
39 anos |
40 anos |
|
6 anos |
36 anos |
51 anos |
55 anos |
|
8 anos |
46 anos |
63 anos |
75 anos |
|
10 anos |
55 anos |
75 anos |
94 anos |
|
12 anos |
62 anos |
85 anos |
103 anos |
|
14 anos |
68 anos |
95 anos |
- |
|
16 anos |
76 anos |
- |
- |
|
18 anos |
87 anos |
- |
- |
|
20 anos |
99 anos |
- |
- |
Idade humana do seu gato:
|
IDADE DO GATO |
IDADE HUMANA |
|
1 ano |
24 anos |
|
2 anos |
36 anos |
|
3 anos |
42 anos |
|
4 anos |
45 anos |
|
5 anos |
48 anos |
|
6 anos |
51 anos |
|
7 anos |
54 anos |
|
8 anos |
57 anos |
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Novembro 16, 2008
Esterilização dos machos
A esterilização dos machos, vulgarmente denominada de castração consiste na remoção dos testículos tanto no cão como no gato.
É um procedimento cirúrgico bastante frequente na prática clínica. Contudo a percentagem de castração de gatos é muito superior à dos cães. Isto porque os donos dos gatos frequentemente se queixam que o seu animal urina pela casa toda (marcação territorial) ou que quer fugir para a rua. Têm assim um motivo suficientemente forte para optar pela castração.
No entanto, no caso dos cães mostram-se bem mais relutantes. Normalmente, se não existir um problema médico concreto, como um tumor de próstata ou testicular, os donos não querem castrar. Existe o mito de que o cão depois de castrado fica com um comportamento alterado, “mais triste”, “menos vivo”. Algo totalmente errado – o cão depois de castrado mantém a mesma vivacidade e energia, “continua o mesmo cão”.
Vejamos então quais os benefícios da castração:
- previne ou atenua a marcação territorial;
- previne ou atenua a tendência para vaguear na rua;
- diminui os comportamentos agressivos;
- diminui os níveis de ansiedade ou os comportamentos de índole sexual provocados pela presença de fêmeas em cio nas redondezas;
- previne, no caso dos cães, o aparecimento de hiperplasia benigna prostática ou, quando ela já existe, regride-a;
- remoção de tumores testiculares quando estes estão presentes.
Todos estes benefícios, exceptuando o último, devem-se ao abaixamento significativo dos níveis de testosterona – hormona que produz o chamado comportamento de “macho”.
Após a castração e, tal como nas fêmeas, há que ter cuidado com o aumento de peso. Vigie o peso do seu animal nas semanas seguintes à cirurgia e aconselhe-se com o seu médico veterinário sobre a melhor forma de o controlar.
Novembro 17, 2008
Leishmaniose nos cães
A leishmaniose é uma doença infecciosa transmitida por um insecto denominado flebótomo, daí ser designada vulgarmente por “doença do mosquito”.
Este insecto prevalece normalmente em ambientes noturnos, quentes e húmidas e transporta o parasita que dá o nome à doença – a leishmania. A forma da prevenir é através da replecção do mosquito, seja através de coleiras, seja através de spot-on.
Ao picar o animal, o flébotomo inocula o parasita e este começa a desenvolver-se no organismo do cão. Esta doença tem um período de incubação muito longo que pode ir de 1 mês até vários anos. Ou seja, o animal pode transportar a leishmania durante muitos anos sem manifestar clinicamente a doença.
A leishmaniose apresenta inúmeros sintomas. É uma doença que afecta todo o sistema imunitário do animal e pode atingir vários orgãos.
De entre os sintomas mais comuns temos:
- apatia;
- falta de apetite com perda de peso;
- vómitos e/ou diarreia sem causa aparente;
- alteraçoes na pele e/ou pêlo: seborreia, infecções na pele, lesões que não curam, falta de pêlo, crescimento exagrado das unhas;
- sinais de insuficiência renal;
- epistaxis: sangramento do nariz.
Claro que todos estes sintomas não significam que o cão tenha leishmaniose, são apenas pequenos sinais que podem conduzir o médico veterinário à pesquisa da doença.
Se for detectada há que avaliar a condição do animal e optar pela melhor forma de o tratar. Não existe uma cura para a leishmaniose, apenas tratamento e o prognóstico da doença depende muito do estado em que é detectada e, consequentemente, da condição do animal. Um animal tratado significa que tem o parasita ” enclausurado”, logo, deixa de ser uma fonte de contágio para outros, ou seja, se um flébotomo sem leishmania o picar já não consegue “tirar” o parasita dessa cão uma vez ele não está na corrente sanguínea mas sim “enclausurado”.
A leishmaniose é uma zoonose, ou seja, atinge também os humanos, nomeadamente pessoas mais debilitadas. A forma de contágio é também através do insecto. Ele pica o humano e inocula o parasita. Se tiver um cão portador de leishmaniose, este deve de imediato ser tratado para que o parasita não possa ser transmitido ao flébotomo e deste a outros cães ou, eventualmente, a pessoas mais debilitadas.
Informe-se com o seu médico veterinário sobre esta doença e sobre a melhor forma de a prevenir ou mesmo tratar.
Novembro 22, 2008
O envelhecimento
O processo de envelhecimento é algo que acompanha a vida do nosso animal de estimação. Cada vez mais, a esperança média de vida deles aumenta, logo começamos a notar que o nosso cão ou o nosso gato estão de facto a ficar velhos. Os cães de maior porte atingem a fase de séniores mais cedo que os cães de pequeno porte. De qualquer modo consideramos que, no geral, a fase sénior começa a partir dos 8 anos tanto nos cães como nos gatos.
Associados à idade existem diversos problemas:
- artroses;
- perda de visão;
- perda de audição;
- menor actividade física e maior número de horas de descanso;
- senilidade, entre outros.
Perante isto, vários cuidados são exigidos a partir de certa idade. Adeque a alimentação dele à sua idade bem como condição física e estado de saúde. Torne o seu local de descanso o mais confortável possível – evite que ele durma directamente no chão – e mantenha sempre o local aquecido. Leve-o, no mínimo, anualmente ao veterinário para efectuar um check-up. Esteja atento a mudanças de rotina no seu animal, como por exemplo deixar de subir escadas, embater contra objectos ou alteração de apetite.
Actualmente existem no mercado uma série de suplementos que ajudam o seu animal a lidar melhor com esta última fase da sua vida - suplementos articulares, anti-oxidantes, suplementos vitamínicos. Aconselhe-se com o seu médico veterinário sobre qual a melhor opção. Lembre-se que esta fase é a mais importante da vida do seu animal – mais um dia representa mais uma vitória.
Novembro 23, 2008
Sarna ou vontade de coçar?
Os ácaros existem habitualmente na pele do animal e são organismos oportunistas, ou seja, desenvolvem-se quando o animal tem menos defesas. Daí ser mais frequente observarmos sarna em animais jovens ou animais debilitados ou imunossuprimidos por qualquer outra doença.
A sarna manifesta-se por:
- falhas no pêlo ou mesmo peladas;
- prurido intenso;
- descamação da pele;
- inflamação da pele com possível infecção, entre outros sintomas.
Existem vários tipos de sarna causadas por vários tipos de ácaros. Os ácaros alojam-se em profundidade na pele do animal, destruindo o folículo piloso, e para serem identificados é necessário proceder-se a uma raspagem de pele profunda. Nem sempre são fáceis de encontrar. Existem ainda ácaros que se alojam a nível do conduto auditivo do animal originando uma otite.
O tratamento da sarna passa por eliminar tanto os parasitas adultos como os ovos. Normalmente, são tratamentos algo morosos, de algumas semanas. A sarna é contagiosa, por isso se existirem vários animais perto de um contaminado deve ter atenção se exibem sintomas ou não. Pode também contaminar o humano. Aconselhe-se com o seu médico veterinário sob a melhor forma de tratamento.
Novembro 29, 2008
Cães perigosos – novo regime jurídico
Em Agosto de 2007 foi publicado o novo regime jurídico para a posse de cães perigosos. As raças ou cruzamentos «potencialmente perigosas» são sete: o cão de fila brasileiro, o dogue argentino, o pitbull terrier, o rottweiller, o staffordshire terrier americano, o staffordshire bull terrier e o tosa inu.
Perante esta alteração à anterior legislação, os proprietários de cães considerados perigosos são obrigados a ser maiores de idade, a ter registo criminal limpo e a efectuar um exame de aptidão física e psicológica para a posse destes animais.
Assim, para efectuar o registo do animal na Junta de Freguesia, o proprietário além do boletim de vacinas e do registo do microchip, deve entregar esta nova documentação.
Foram também estipuladas novas coimas para os proprietários que não cumpram a lei, estando o montante mínimo fixado em 500 euros e o montante máximo em 44.890 euros, agravado em 30 por cento em caso de reincidência.
A nova lei determina também que os criadores «só poderão exercer a actividade mediante uma licença emitida pela Direcção-Geral de Veterinária, que obriga a indicar a espécie, a raça e todos os dados referentes ao animal, a constar no chip electrónico de identificação».
Em Abril deste ano saiu um novo despacho que obriga mesmo à esterilização destas raças. Segundo o Ministério da Agricultura, existe a “proibição da importação e criação dos chamados cães perigosos definidos como tal na legislação, assim como a obrigatoriedade da esterilização destes animais num prazo de dois meses”.
Em caso de dúvida, aconselhe-se com o seu médico veterinário e/ou consulte a actual legislação.
Dezembro 7, 2008
Tosse do Canil
É uma doença mista causada pela bactéria Bordetella bronchiseptica e por dois tipos de vírus: o adenovírus do tipo 2 e o vírus Parainfluenza. Transmite-se através do contacto directo entre animais, daí ser mais frequente quando há uma população numerosa de animais.
Os sintomas desta doença consistem, essencialmente, numa tosse persistente e bastante ruidosa. Nos casos mais graves, pode haver febre com consequente prostração, falta de apetite ou envolvimento pulmonar mais grave.
Por vezes, esta patologia é auto-limitante, ou seja, ao fim de uma semana o animal deixa de exibir sintomas sem qualquer intervenção médica. No entanto, normalmente a tosse é muito persistente e exige tratamento médico com anti-inflamatórios, antitússicos e, eventualmente, antibiótico para os casos mais graves. Nestes casos mais graves a tosse pode persistir durante cerca de 3 semanas.
Uma das formas de prevenir a tosse do canil é através da vacina. Se pensa colocar o seu animal num canil ou num ambiente onde existe um maior número de animais não hesite em vaciná-lo. Se o seu cão tem alguma doença crónica de outra natureza, não hesite também em vaciná-lo contra a tosse do canil, uma vez que esta pode conduzir a um estado debilitante que pode interferir com o problema crónico já existente.
Esta patologia pode também atingir o Homem, nomeadamente crianças e pessoas imunossuprimidas. Aconselhe-se com o seu médico veterinário sobre a vacinação e a melhor forma de tratamento.
Dezembro 13, 2008
Diarreias em jovens
Podem ter várias causas, sendo as mais frequentes:
- alterações repentinas na alimentação;
- parasitismo;
- ingestão de leite de vaca;
- ingestão de objectos estranhos, nomeadamente pedaços de brinquedos,
- doenças infecciosas.
É comum os donos mudarem de ração nos seus animais. Esta mudança nunca deve ser brusca, mas sim através de uma transição gradual, principalmente, se se tratar de um animal jovem, pois o seu tracto gastro-intestinal é bem mais sensível. Assim, opte sempre por misturar a ração nova com a que o animal está habituado a comer. Faça pelo menos durante uns 5 dias essa transição gradual.
O parasitismo, é outra das causas de diarreia nos jovens. Os bebés devem ser desparasitados a partir das 2-3 semanas de idade, pois transportam parasitas transmitidos pela própria mãe. Se essa carga parasitária for muito elevada é frequente aparecerem as diarreias antes da desparasitação ou mesmo quando esta é efectuada. Nunca esqueça que a desparasitação deve ser mensal pelo menos até aos 6 meses de idade.
O consumo de leite de vaca é contra-indicado para os cães e gatos, nomeadamente os mais jovens. O leite materno destes animais é totalmente diferente do leite de vaca, daí serem mais intolerantes ao leite que nós consumimos. Se necessário, administre sempre leite de substituição para cachorro ou gato, mas nunca leite de vaca. Esse leite vende-se em clínicas veterinárias ou lojas de produtos animais. Nunca se esqueça que a partir das 4 semanas de idade o seu animal já pode começar a fazer a transição para a ração júnior.
Durante a fase de crescimento, a ingestão de material estranho é comum por parte dos cachorros e dos gatinhos. Roer brinquedos, comer madeira, comer plástico, comer relva, são tudo atitudes frequentes nos nossos jovens. Há que ser duplamente cauteloso com a ingestão deste tipo de material, pois todos eles podem causar distúrbios gastro-intestinais ou algo mais grave como por exemplo obstruções.
Finalmente, há diarreias que são sintomas de doenças infecciosas. Nos gatinhos temos a panleucopénia felina e nos cachorros a parvovirose e a esgana. Ambas causadas por vírus, estas doenças podem ser mortais em animais jovens, já que deprimem todo o seu sistema imunitário.
Qualquer que seja a causa da diarreia, não deixe de consultar o seu médico veterinário – não esqueça que uma diarreia num animal muito jovem pode rapidamente debitá-lo e trazer consequências gravíssimas para a sua saúde.
Dezembro 21, 2008
DAPP – Dermatite alérgica à picada da pulga
A dermatite alérgica à picada da pulga, vulgarmente denominada de DAPP, é uma doença de pele que afecta tanto cães como gatos. Trata-se de uma reacção alérgica à picada da pulga, que ocorre na epiderme do animal.
Normalmente, a pulga ao picar, induz um certo incómodo no animal. Mas se o animal for alérgico, esse prurido é muito intenso e o animal começa a coçar-se desesperadamente. Este auto-traumatismo por parte do animal conduz a lesões na pele mais ou menos graves, podendo ir de uma simples vermelhidão até zonas sem pêlo e com a pele totalmente infectada.
A DAPP caracteriza-se por aparecer inicialmente no final do dorso do animal, já próximo da cauda. No entanto, se não for tratada pode alastrar rapidamente num pequeno espaço de horas.
Os sinais mais relevantes da DAPP são:
- prurido intenso;
- queda de pêlo localizada ou generalizada;
- pele inflamada ou mesmo infectada;
- crostas;
- cheiro intenso na pele – quando o grau de infecção já é acentuado;
- pontos pretos na pele do animal que representam as fezes das pulgas adultas.
Para tratar a DAPP, é vital controlar a população de pulgas existentes, quer no animal, quer no ambiente em que ele vive. Atenção que a DAPP não significa ter o animal contaminado por um número elevado de pulgas – basta o animal ser alérgico e ser picado por uma pulga para fazer uma dermatite grave. Assim, nos animais alérgicos é indispensável fazer uma boa prevenção de ectoparasitas, a fim de evitar que a DAPP apareça.
No caso de já existir, é fundamental controlar o prurido, de forma a evitar que o animal se auto-mutile. Pode mesmo ser necessária a aplicação de um colar isabelino, nos primeiros dias, para evitar que ele se coce. O controlo do prurido pode ser feito localmente, com pomadas ou loções com antibiótico e anti-inflamatório ou, de forma sistémica para os casos mais graves. Os banhos com champôs anti-alérgicos podem também ser úteis quando a DAPP abrange uma área muito extensa – acalmam a pele e dão conforto ao animal.
Não se esqueça nunca que, a melhor forma de evitar as DAPPs, é através de uma prevenção eficaz da população de pulgas. Pode encontrar informação a esse respeito no artigo publicado em Novembro neste blog : “Pulgas – a grande praga”.
Janeiro 3, 2009
Otites
As otites são um dos motivos mais frequentes para consulta no dia-a-dia da prática clínica. Consistem na inflamação do conducto auditivo do animal.
Podem ser classificadas em:
- externas: com inflamação da orelha do animal;
- médias: com afectação do ouvido médio, são identificadas facilmente através de um otoscópio;
- internas: são as mais graves, atingindo a bula timpânica, e conduzindo a sinais de desequilíbrio, designados por síndrome vestibular; as otites internas só são possíveis de identificar através de imagiologia (rx ou mesmo um TAC)
As otites podem ser provocadas por vários agentes: bactérias, leveduras, ácaros e corpos estranhos. Todos eles conduzem a sintomas semelhantes:
- prurido;
- dor;
- inclinação da cabeça;
- odor mais intenso do ouvido afectado.
O tratamento das otites passa por, primeiro, identificar a sua causa. Há animais que frequentemente têm otites e, nalguns casos, passa a ser um problema crónico. Isto pode dever-se ao meio ambiente onde estão inseridos, a hábitos que propenciam o seu aparecimento, como por exemplo banhos de mar frequentes ou passeios de carro com a cabeça à janela, ou mesmo à sua anatomia (é o caso dos animais com o conducto auditivo muito apertado que impossibilita um arejamento adequado do ouvido). É aconselhável efectuar uma limpeza semanal com um produto de limpeza adequado nestes animais mais predispostos a otites.
O tratamento das otites consiste sempre na aplicação de um produto tópico e, nos casos mais graves, de medicação sistémica. Nos casos de corpos estranhos é fundamental a sua detecção e remoção antes de iniciar o tratamento. Assim que o tratamento é iniciado, não deverá ser interrompido sem o seu médico veterinário voltar a avaliar o ouvido do seu cão ou do seu gato. Otites mal tratadas, conduzem a resistências nos tratamentos futuros e, consequentemente, aumentam a possibilidade desse problema se tornar crónico. Para um tratamento mais eficaz recorre-se, por vezes, a uma zaragatoa do ouvido do animal que permite identificar o agente envolvido.
Se notar que o seu cão ou o seu gato abana demasiado a cabeça ou que se coça de forma mais intensa, não hesite em consultar o seu médico veterinário.
Janeiro 11, 2009
Colapso de traqueia
O colapso de traqueia é uma patologia, que se traduz por uma anomalia na cartilagem existente na parede da traqueia, tornando-a mais frágil e, consequentemente, mais predisposta a diminuir o seu lúmen.
Esta diminuição no diâmetro da traqueia conduz a uma obstrução parcial à passagem do ar, logo o animal vai tossir. É mais frequente nos cães de raças pequenas e pode manifestar-se em qualquer idade, sendo, contudo, mais frequente em cães de meia-idade.
Além da tosse, podemos ter como sintomas:
- dispneia (dificuldade respiratória acentuada);
- posição ortopneica (pescoço esticado e abertura dos membros anteriores) pra facilitar a respiração;
- cianose (a língua muda de rosada para azulada).
Estes sintomas são mais notórios aquando de exercício físico intenso ou períodos de excitação acentuada. Nestas situações, o animal parece que se engasga, podendo ter uma tosse produtiva ou não. Os períodos de tosse aumentam consideravelmente se o animal tiver excesso de peso. O colapso de traqueia é facilmente diagnosticado através de um rx simples.
O tratamento do colapso de traqueia consiste, na maior parte dos casos, em cuidados paliativos: anti-tússicos e anti-inflamatórios que fazem com que a irritação da traqueia diminua. É importante, durante a fase de tratamento, colocar o animal num sítio sossegado. Quando o colapso de traqueia é na porção cervical, pode-se considerar a hipotése de efectuar tratamento cirúrgico, que consiste em colocar anéis artificiais nos locais onde a cartilagem da traqueia está fragilizada.
Todos os animais com colapso de traqueia devem evitar o uso de coleira e/ou estranguladora. Os donos devem optar pelo uso de um peitoral, já que este não exerce pressão no pescoço do animal. O exercício físico intenso deve ser também limitado.
O colapso de traqueia pode conduzir a, médio/longo prazo, alterações na porção direita do coração, pois o animal tem de fazer um maior esforço para respirar. É essencial que o seu animal seja monitorizado regularmente, principalmente se for geriátrico. Não deixe de lhe fazer um check-up semestral.
Janeiro 17, 2009
Dermatite por lambedura
A dermatite por lambedura, também denominada por “acral licking”, é um dos problemas de pele mais complicados de resolver em veterinária.
Consiste no lamber incessante de uma parte do corpo, nomeadamente as patas, até causar uma lesão na pele.
A maior parte dos donos revela que a lesão começa por ser uma pequena ferida. O animal lambe constantemente a pata e, numa fase inicial, causa iritaçao da pele, mudança de cor do pêlo (fica mais escuro por ser queimado pela saliva) e peladas. À medida que o problema progride, a pele começa a ficar ulcerada e infectada. O animal começa a sentir cada vez mais prurido e tende a lamber ainda mais a lesão. Trata-se, por isso, de um ciclo vicioso: quanto mais o animal lambe, maior ulceração ele faz, mais prurido tem e, consequentemente, mais quer lamber.
As raças mais predispostas para este tipo de dermatite são:
- Labrador Retriever;
- Golden Retriever;
- Weimaraner;
- Doberman Pinscher;
- Pastor Alemão;
- Setter Irlandês.
Actualmente, acredita-se existirem várias causas para este tipo de dermatite. De entre elas, as mais frequentes são:
- Stress: períodos solitários muito longos, mudança de ambiente, entrada de um novo membro, entre outros;
- dor articular: a dor numa articulação pode ser um motivo para o animal começar a lamber-se;
- corpos estranhos ou picadas: desencadeiam prurido ou dor localmente.
Claro que todas estas causas podem fazer o animal lamber-se e isto não ser obsessivo. Apenas alguns animais tornam o lamber um vício; será ao equivalente humano de roer as unhas – as pessoas já o fazem inconscientemente. No cão o mesmo se passa.
A forma de tratar este tipo de dermatite é acelerar a cicatrização total da lesão. Isto só é possível se o animal não se lamber. Para isso, usam-se colares isabelinos e, nos casos mais graves de animais muito stressados, pode ser necessário a toma de algum tipo de calmante. Na lesão aplicam-se pomadas com antibiótico e anti-inflamatórios esteróides que retiram o prurido. Pode ser necessário a administração sistémica destes fármacos para as lesões mais extensas. Nos casos recidivantes pode-se optar pelo encerramento cirúrgico da lesão após tratamento com antibióticos. Contudo, nestas situações também se pode dar o caso do animal lamber a zona de sutura e voltar a abrir a lesão antiga. Daqui se conclui que, o mais importante, é remover toda e qualquer fonte de stress para o animal por forma a evitar um comportamento obsessivo-compulsivo.
Janeiro 31, 2009
Piómetras
As piómetras são infecções uterinas que ocorrem, tanto em cadelas como em gatas. Essas infecções devem-se a alteração dos níveis hormonais da fêmea.
Resumidamente, no ciclo estral das fêmeas (vulgarmente denominado de cio) estão envolvidos dois tipos de hormonas sexuais – estrogénios e progesterona. No final do “sangramento” de cio, os níveis de progesterona permanecem elevados durante cerca de 2 meses, conduzindo a alterações no útero. A sua parede começa a ficar espessada e com menor contractibilidade e cria-se um ambiente húmido no seu interior. Todos estes fenómenos são fisiológicos para a preparação de uma futura gravidez. No entanto, se a gravidez não ocorre, o útero permanece nestas condições e, como o cérvix permanece aberto após o cio, as bactérias da vagina facilmente entram no útero e este enche-se de pús.
As piómetras podem ocorrer em qualquer cio da fêmea. A melhor forma das evitar é através da esterilização da fêmea, se o dono não quiser que ela procrie.
Existe um factor que predispõe à ocorrência de piómetras: o uso de pílulas contraceptivas. As pílulas conduzem ao aumento dos níveis de progesterona na fêmea e aumentam em muito a probabilidade da ocorrência destas infecções, bem como de tumores mamários. Estão, por isso, totalmente contra-indicadas.
Alguns dos sintomas das piómetras são:
- perda de apetite;
- poliúria e polidipsia (aumento da quantidade de urina e aumento do consumo de água);
- prostração com eventual febre;
- corrimento purulento e/ou sanguinolento da vagina: se o cérvix estiver fechado, pode não existir corrimento;
- nos casos mais graves, podemos ter sinais de septicémia (infecção generalizada).
Neste último caso, o útero já está roturado e o animal corre sérios riscos de vida.
A melhor forma de tratar as piómetras é cirurgicamente, com remoção de ovários e útero, juntamente com uma antibioterapia agressiva. É importante monitorizar a função renal do animal durante todos estes passos, pois as bactérias podem afectar também os rins, conduzindo a uma insuficiência renal grave.
Todas as piómetras são graves e podem conduzir à morte do seu animal.
Fevereiro 8, 2009
Gengivite-estomatite em gatos
O complexo gengivite-estomatite é uma patologia da cavidade bucal que afecta, essenciamente, a gengiva e o arco glossopalatino (curvatura posterior da mandíbula). Atinge, maioritamente, os gatos, independentemente da sua idade.
Esta afecção tem uma origem multifactorial. São três os factores causadores de gengivite-estomatite:
- factor bacteriano: as bactérias naturalmente existentes na boca, provocam infecção e inflamação da gengiva;
- factor viral: vírus como o da Leucose Felina (FeLV) e da Imunodeficiência Felina (FIV), predispõem ao seu aparecimento;
- factor auto-imune: o organismo do animal reage contra os seus próprios constituintes.
Por ter uma etiologia tão complexa, torna-se muito difícil uma cura a 100%.
Os sintomas mais frequentes são:
- anorexia;
- hipersalivação;
- dor intensa na boca;
- inflamação da gengiva;
- úlceras;
- mau hálito.
O tratamento da gengivite felina passa pelo uso de antibióticos e fármacos imunossupressores. É essencial a remoção do tártaro, bem como a limpeza do sulco gengival. Se o animal persistir nos sintomas pode-se optar pela extracção parcial ou total dos dentes. De qualquer modo, mesmo com a extracção dos dentes, grande parte dos gatos continua a necessitar de medicação, pois em quase todos passa a ser um problema crónico.
Fevereiro 14, 2009
Epilepsia
A epilepsia é uma condição, que se traduz, por convulsões repetidas, devido a uma actividade anormal no cérebro.
Uma única crise convulsiva, não significa que o animal tenha epilepsia.
Pode existir tantos em cães, como em gatos, contudo, a incidência na população canina é, significativamente, maior.
A epilepsia dita “verdadeira” ou idiopática, ocorre, normalmente, entre os 6 meses e os 5 anos de idade do animal. Algumas raças caninas estão mais predispostas, como por exemplo Labrador Retriever, Golden Retriever e Pastor Alemão. No entanto, qualquer raça pode apresentar epilepsia, independentemente de ser macho ou fêmea.
Para se diagnosticar epilepsia idiopática, é necessário descartar outras anomalias que possam conduzir a crises convulsivas. Intoxicações, doenças metabólicas, tumores cerebrais, traumatismos cranianos, são tudo afecções que também podem originar crises convulsivas, mas que não representam epilepsia “verdadeira”. É importante o veterinário ter um historial clínico o mais detalhado possível, fornecido pelo dono, bem como, efectuar exames complementares de diagnóstico para concluir que o animal tem mesmo epilepsia.
Nos animais epilépticos, o intervalo e a intensidade das crises é muito variável. A maior parte dos cães tem convulsões generalizadas por todo o corpo, enquanto que os gatos têm convulsões focalizadas numa determinada área do corpo.
Os sinais clínicos que caracterizam a epilepsia são:
- perda de consciência;
- rigidez muscular;
- hipersalivação;
- micção e/ou defecação;
- vocalização.
A crise epileptiforme divide-se em três fases:
- pré-ictal: antes da crise; o animal pode parecer um pouco “distante”; raramente é perceptível por parte do dono;
- ictus: a crise propriamente dita; pode durar de segundos a alguns minutos;
- pós-ictal: após a crise; pode durar de alguns minutos até várias horas; o animal exibe um comportamento alterado, tipicamente cansado e desorientado, mas pode apresentar sequelas mais graves, dependendo da intensidade da crise.
É essencial que o animal saia rapidamente da crise epileptiforme. Quanto mais rápido a crise terminar, menor a probabilidade de restarem sequelas do ataque. Para isso, é importante o dono ter sempre medicação de SOS consigo, que é administrada via rectal. Nunca coloque as mãos dentro da boca do seu animal durante um ataque.
Crises esporádicas podem não justificar o uso de medicação constante. É frequente que, no início, o animal tenha mais ataques até se conseguir encontrar a dose mínima eficaz dos fármacos que previnem as convulsões. O mais comum é o fenobarbital. Devido à toxicidade hepática deste fármaco, é importante controlar regularmente os parâmetros hepáticos do seu animal. Há animais que podem não responder ao fenobarbital, ou podem fazer lesão hepática grave quando as doses são mais elevadas. Nesses casos, é de ponderar o uso de outro fármaco, chamado brometo de potássio. Aconselhe-se com o seu veterinários sobre a melhor medicação para o seu animal.
Fevereiro 21, 2009
Obesidade
Actualmente, a obesidade é uma das doenças com maior prevalência na práctica clínica. Acredita-se que, em todo o Mundo, um em cada quatro animais de estimação é obeso.
Tal como nos humanos, a pouca actividade física e a má alimentação com ingestão de alimentos hipercalóricos são os dois principais factores que conduzem à obesidade. Considera-se que um animal é obeso quando apresenta 20% a mais do peso considerado ideal para a sua idade e raça.
A obesidade pode resultar noutros problemas, ou agravar os já existentes. De entre esses problemas destacam-se:
- diabetes;
- problemas articulares;
- problemas cardio-respiratórios;
- problemas hepáticos;
- problemas dermatológicos.
É importante reforçar a ideia de que a obesidade não é um problema meramente estético, mas sim uma doença. A gordura, além de se acumular nos depósitos de tecido adiposo, pode também começar a acumular-se e a envolver determinados orgãos vitais do animal, pondo em risco a sua própria vida.
O animal não controla a quantidade de alimento que ingere. Assim sendo, estabelecer um plano de emagrecimento implica que o dono esteja mentalmente disponível para efectuar as seguintes modificações nos hábitos do seu animal:
- redução da quantidade diária de alimento ingerido ou mudança para uma ração hipocalórica com doses estabelecidas pelo veterinário: as rações hipocalóricas criam normalmente um maior efeito de saciedade e o animal não fica tão ansioso com as mudanças de hábitos;
- praticar exercício físico moderado: não o deixe cair em sedentarismo – todos os dias são um bom dia para uma caminhada de alguns minutos; se for, por exemplo, um gato que não saia de casa, então opte por brincar com ele;
- evitar todo o tipo de “extras”: o hábito de oferecer um pouco de tudo deve ser totalmente eliminado; o que para nós pode significar uma refeição leve, para o seu animal pode traduzir-se numa “bomba” de calorias.
Para controlar o peso do seu animal, opte por vigiar a sua condição corporal. Mais do que o peso, a condição corporal dá-nos uma imagem bastante fidedigna do estado do animal e permite-nos, de uma forma muito simples, percebermos se o nosso animal está a ficar gordito ou não. E lembre-se que, para ele conseguir emagrecer, o dono tem de querer!
Fevereiro 28, 2009
Lagarta do pinheiro
A lagarta do pinheiro, também conhecida por processionária, é uma praga florestal que pode ser encontrada por todo o país em diversos tipos de pinheiros. Esta lagarta, de nome científico Thaumetophoea pityocampa, além de destruir os pinheiros, tem um grande efeito prejudicial, tanto em pessoas como em animais, que com ela contactam.
O seu ciclo de vida é bastante longo, durando praticamente todo o ano. Contudo, é entre Janeiro e Maio que as lagartas são verdadeiramente nocivas para nós e para os nossos animais. Durante este período, as lagartas começam a descer pelos troncos do pinheiro em fila, como se de uma procissão se tratasse, em direcção ao solo, onde vão completar o seu desenvolvimento. Aí transformam-se em borboleta. Entre Agosto e Setembro, nascem as lagartas que se alojam nos seus ninhos, nas copas dos pinheiros, por forma a manterem o calor e resistirem até descerem novamente em Janeiro.
As lagartas do pinheiro têm uma cor acastanhada que se confunde com a cor do tronco do pinheiro, e estão envolvidas por centenas de pêlos. São estes pêlos urticantes e tóxicos os causadores de lesões graves, tanto em humanos como nos animais.
Os cães são normalmente mais afectados que os gatos. Ao cheirarem, tocarem ou morderem a lagarta, os animais podem apresentar lesões mais ou menos graves:
- salivação intensa;
- prurido acentuado no focinho;
- língua inchada (edema) e com uma tonalidade mais ou menos escura;
- irritação a nível dos olhos;
- dor intensa na boca;
- nos casos mais graves pode ocorrer necrose (morte) dos tecidos, nomeadamente língua e lábios. Se essa necrose for muito extensa, a vida do animal pode ficar em risco.
É imprescindível que o animal seja observado de imediato pelo seu médico veterinário – é uma urgência veterinária sempre! Evite ao máximo tocar no focinho do seu cão ou gato, pois poderá igualmente ficar com uma reacção alérgica nas suas mãos.
Caso detecte lagartas perto da zona onde vive, avise de imediato os serviços municipais da sua zona. Se tiver pinheiros em sua casa, informe-se junto da sua Camâra Municipal sobre a melhor forma de prevenção.
Março 8, 2009
Febre da carraça
Chegado o mês de Março, é frequente começarem a aparecer as carraças no meio ambiente, representando um perigo, quer para nós humanos, quer para os nossos animais de estimação.
A febre da carraça é o termo usado para designar as várias doenças que a carraça pode transmitir. Este ectoparasita tem a capacidade de alojar diferentes tipos de agentes e, assim, transmitir uma ou mais doenças quando se aloja no seu hospedeiro. Entre esses agentes temos bactérias, ricketsias (um agente que, em termos evolutivos, se situa entre as bactérias e os vírus), e protozoários, entre outros.
No dia-a-dia da prática clínica, os dois tipos de febre de carraça mais frequentes são a Erlichiose e a Babesiose.
A Erlichiose é causada por uma ricketsia do género Erlichia spp. Pode ter três fases:
- fase aguda: desenvolve-se entre 1 a 3 semanas após a inoculação do agente no animal de estimação. Caracteriza-se por anemia, febre, apatia, perda de apetite, dor articular, hematomas sem causa aparente, aumento dos gânglios linfáticos e do baço.
- fase subclínica: pode durar meses ou mesmo anos. O animal pode apresentar-se normal ou com uma anemia ligeira.
- fase crónica: com maior ou menor gravidade, esta fase caracteriza-se por perda de peso, anemia, sintomas neurológicos, hemorragias, a febre pode ou não estar presente e edema (acumulação de líquido) nos membros posteriores.
Nem sempre estas três fases são perceptíveis no animal. E, por vezes, os sintomas podem ser bem mais graves, uma vez que, uma carraça pode transmitir mais do que um agente infeccioso. Não existe vacina para a Erlichiose.
A Babesiose, também designada por Piroplasmose, é causada pelo protozoário do género Babesia spp. Esta doença caracteriza-se por:
- anemia;
- febre;
- vómitos e/ou diarreia;
- icterícia;
- fraqueza muscular;
- nos casos crónicos podemos ter febres recorrentes, perda de apetite e edema generalizado.
O tratamento da febre da carraça consiste no uso de antibióticos, nomeadamente a doxiciclina, por um período de tempo bastante longo – várias semanas, podendo mesmo chegar aos 2 meses. Se os sintomas forem mais graves, o animal poderá precisar de internamento, com fluidoterapia e, eventualmente, transfusão de sangue. Nos casos de babesiose, conjuga-se também um fármaco denominado dipropionato de imidocarbe, que elimina o parasita e é administrado na forma injectável.
A febre da carraça é uma doença grave que pode conduzir à morte do animal. A prevenção das carraças é a melhor maneira de evitar esta doença (veja como prevenir no artigo já publicado sobre carraças). Apesar da febre da carraça também atingir os humanos, o animal de estimação não nos transmite a doença – somente a carraça infectada é capaz da transmitir se nos picar.
Março 15, 2009
Doença do tracto urinário inferior dos felinos (FLUTD)
A doença do tracto urinário inferior dos felinos, também designada por FLUTD (feline lower urinary tract disease), engloba afecções que podem afectar a bexiga e a uretra dos gatos.
Independentemente da etiologia, os sinais presentes na FLUTD são:
- disúria: dor ou dificuldade em urinar, podendo existir ou não obstrução urinária;
- hematúria: presença de sangue na urina;
- polaquiúria: urinam com muita frequência e em pequenas quantidades;
- lamber constante da zona genital;
- micção em locais anormais.
Apesar da FLUTD poder ser observada em qualquer gato, é mais frequente ocorrer em machos de meia-idade, sedentários e com excesso de peso.
Quanto às causas mais frequentes para a ocorrência de FLUTD temos:
- obstruções urinárias;
- urolitíase (cálculos urinários);
- cistites idiopáticas (infecções urinárias de causa desconhecida).
As obstruções urinárias consistem na obstrução parcial ou total da uretra do gato, através de cálculos ou através de rolhões uretrais, que se formam devido à descamação celular existente habitualmente na uretra. As fêmeas raramente obstruem pois a sua uretra é mais curta e mais larga que a dos machos.
Trata-se sempre de uma urgência veterinária, que requer a desobstrução imediata do animal através da sua algaliação. Se o animal não for algaliado de imediato poderá mesmo correr risco de vida, pois os produtos tóxicos eliminados, habitualmente, na urina começam a acumular-se no organismo, intoxicando o animal. Se notar que o seu gato não urina, ou que urina tão pouco que praticamente não molha o areão do caixote, não espere pelo dia seguinte para o levar ao veterinário assistente – essa espera pode significar a sua morte!
Habitualmente estes animais necessitam de internamento durante algum tempo, dependendo da gravidade da situação. É essencial controlar as possíveis infecções urinárias que possam surgir através de antibióticos, bem como promover uma boa analgesia (alívio da dor) ao animal. Um animal com dor retrai-se e evita urinar. Nos casos recorrentes, pondera-se um tratamento cirúrgico – uretrostomia.
A urolitíase é outra das causas da FLUTD. Normalmente, os cálculos são identificados através de radiografia ou de ecografia. Habitualmente, estes gatos necessitam de fazer dietas especiais para dissolver os cálculos urinários. Se, mesmo assim, os cálculos não desaparecerem ou se estiverem presentes em grandes quantidades, torna-se necessária a sua remoção cirúrgica – cistotomia.
Por último, as cistites idiopáticas são diagnosticadas por exclusão de todas as outras possíveis causas de FLUTD. Acredita-se que haja uma componente de stress por detrás destas infecções urinárias. Os gatos são animais especialmente sensíveis a modificações na sua rotina diária. Alterações de comida, alterações de horários, introdução de um outro animal, mudança de areão, número insuficiente de caixotes (aconselha-se pelo menos um caixote por animal, nunca menos) são tudo pequenas mudanças que a nós nos pode parecer insignificante, mas que pode ser uma fonte de grande stress para o seu animal. Os gatos com cistites idiopáticas têm os sinais habituais de FLUTD e, normalmente, requerem um tratamento com analgesia. Nos casos mais recorrentes, pode-se mesmo optar pelo uso de fármacos que diminuam os níveis de stress do gato.
Nos casos recorrentes, aconselhe-se com o seu médico veterinário sobre quais as melhores medidas a tomar.
Março 21, 2009
Hiperplasia prostática benigna no cão
A hiperplasia prostática benigna (HPB) é a afecção prostática mais frequente no cão. Consiste no aumento do tamanho da próstata, como resultado de um estímulo hormonal constante através de androgénios (denominação de hormonas masculinas, das quais faz parte a testosterona).
Aparece em cerca de 80% dos machos não-castrados, a partir dos 6 anos de idade. Nem sempre a HPB exibe sintomas, contudo podemos ter:
- tenesmo: dificuldade a defecar;
- hematúria persistente ou intermitente: sangue na urina;
- disúria: dificuldade em urinar;
- corrimento hemorrágico do pénis: habitualmente os donos notam pequenas gotas de sangue no chão, após o animal ter estado deitado.
O diagnóstico da HPB pode ser confirmado através de:
- toque rectal: próstata aumentada (prostatomegália), simétrica e sem dor ao toque;
- radiografia: quando existe HPB, a próstata torna-se visível radiograficamente devido ao aumento do seu tamanho;
- ecografia: permite observar toda a próstata, identificando estruturas anormais, bem como efectuar medições, que permitem um seguimento da evolução da afecção.
Quando a resolução cirúrgica não é possível (normalmente por opção do próprio dono), pode recurrer-se ao uso de fármacos. Actualmente, existem no mercado fármacos que bloqueiam a acção das hormonas sexuais masculinas na próstata. A próstata, não estando sob a acção dos androgénios, acaba por involuir, e o macho pode continuar reprodutor, se for esse o caso. Aconselhe-se com o seu médico veterinário sobre a melhor opção a tomar.
Março 28, 2009
Asma felina
A asma felina, também designada por bronquite crónica, asma brônquica ou bronquite alérgica, caracteriza-se por uma reacção exagerada do próprio organismo aos diversos tipos de alergenos ou agentes infecciosos. Essa reacção conduz a uma inflamação de toda a arvóre brônquica, com excesso de produção de muco e secreções. Consequentemente, o lúmen brônquico torna-se menor e o gato exibe algum grau de dificuldade respiratória. Os alergenos que mais podem favorecer os sintomas de asma são o fumo de tabaco, as poeiras, os sprays ambientais e os poléns.
A asma pode atingir animais de qualquer idade, de qualquer sexo e de qualquer raça. No entanto, tem uma maior prevalência nas fêmeas.
O diagnóstico da asma é efectuado com base no historial clínico do gato, radiografias torácicas e, eventualmente, análises sanguíneas para descartar outras patologias.
É uma doença que ocorre por episódios, ou seja, existem períodos de crise em que o gato exibe os sintomas, mas que passam espontaneamente ou através de medicação nos casos mais graves. O sintoma principal na asma é a tosse.
Durante as crises graves o animal exibe sinais de dificuldade respiratória: pescoço esticado, respiração de boca aberta, ruídos respiratórios acentuados (vulgarmente designados por farfalheira). Se a tosse é muito persistente, o gato pode mesmo vomitar.
A asma não tem cura. O objectivo do tratamento é reduzir a quantidade de secreções produzidas, diminuir a inflamação brônquica e, assim, promover um melhor fluxo de ar aos brônquios, diminuindo, consequentemente, o número de crises asmáticas.
Os gatos com crises ocasionais normalmente não necessitam de medicação. É importante mantê-los com o peso controlado e dimimuir a exposição aos alergenos ambientais.
Para os gatos com crises frequentes é necessário o uso de broncodilatadores, bem como de anti-inflamatórios esteróides. Esses fármacos, idealmente, deveriam ser administrados através de bombas inalatórias, por forma a diminuir os possíveis efeitos secundários que uma administração continuada pode provocar. Actualmente, já existem inaladores próprios para gatos que vieram facilitar muito a administração. Contudo, nem todos os gatos toleram estas bombas: assustam-se, fogem ou podem mesmo ser agressivos.
Nestes casos é de evitar o seu uso, pois um stress adicional só irá exacerbar ainda mais os sintomas. Assim sendo, nestes animais de comportamento mais difícil, o tratamento sistémico através de comprimidos ou xaropes é a solução. Aconselhe-se com o seu médico veterinário sobre a melhor opção terapêutica para o seu gato.
Abril 4, 2009
Insuficiência renal crónica em gatos
A insuficiência renal crónica (IRC) é uma doença que afecta cerca de 20% dos gatos com mais de 10 anos de idade.
A IRC caracteriza-se por uma diminuição progressiva na capacidade dos rins eliminarem os produtos tóxicos do organismo.
Na maior parte das vezes, a IRC evolui de forma silenciosa, sem que o animal exiba quaisquer sintomas. Estes só começam a surgir quando grande parte do rim já se encontra lesionado. Os principais sintomas de IRC são:
- perda de peso;
- anorexia;
- polidipsia – aumento do consumo de água;
- poliúria – aumento da micção;
- desidratação;
- vómitos;
- hipertensão arterial.
A IRC não tem cura. O gato vai, progressivamente, tendo crises de insuficiência renal, acabando por não ter mais capacidade para eliminar os produtos tóxicos do organismo.
Durante os períodos de crise, o animal deve fazer fluidoterapia para repôr o equilíbrio electrolítico e o nível de hidratação. A fluidoterapia (colocação a soro) vai ajudá-lo a eliminar os produtos tóxicos que se acumulam no organismo.
Um gato com IRC deve ser regularmente monitorizado. Sendo uma doença crónica, é fundamental o dono estar atento a alterações no consumo de água e/ou alimento, alterações de peso, bem como aumento da frequência de vómitos. Apercebermo-nos destas pequenas alterações e levarmos o animal ao veterinário de imediato, pode significar evitar descompensações que podem conduzir a uma crise de IRC grave.
Abril 11, 2009
Diabetes mellitus não complicada
A diabetes mellitus consiste numa diminuição na produção de insulina por parte do pâncreas. Muito sumariamente, a insulina tem a função de transformar os nutrientes presentes na alimentação do animal, em energia a ser utilizada pelo organismo. Se os níveis de insulina não são suficientes, a diabetes manifesta-se.
A diabetes ocorre normalmente em cães e gatos a partir da meia-idade. Contudo, pode manifestar-se em animais mais jovens. Nos cães é mais frequente nas fêmeas e nos gatos é mais frequente nos machos. O excesso de peso é um factor que aumenta o risco da diabetes.
Os principais sintomas de diabetes mellitus não complicada são:
- poliúria e polidipsia: aumento da micção e do consumo de água;
- polifagia: aumento do apetite;
- perda de peso;
- infecções variadas;
- cataratas: mais frequentes nos cães.
Quando a diabetes se complica e descompensa, também denominada por diabetes ceto-acidótica, os sintomas são bem mais graves, podendo conduzir à morte do animal.
O diagnóstico da diabetes mellitus não complicada é efectuado através da medição dos níveis de açúcar (glucose) no sangue e na urina.
O tratamento da diabetes mellitus é efectuado através da ingestão de uma dieta específica e da administração de doses controladas de insulina.
O animal deve ser monitorizado regularmente, por forma a estabelecer-se a dose mínima eficaz de insulina. Um paciente diabético exige um cuidado continuado – qualquer alteração na sua alimentação pode significar uma alteração nos níveis de açúcar no sangue e, consequentemente, uma descompensação.
A partir do momento em que o animal está estabilizado, é importante que o dono controle qualquer alteração nos hábitos do animal, nomeadamente, consumo de água, volume de urina e/ou perda de peso. Pequenas alterações nestes paramêtros podem significar uma alteração no nível sanguíneo de glucose. Nestes casos, o animal deverá ser reavaliado de imediato. Uma outra forma do dono avaliar em casa o seu animal diabético é através do controlo dos níveis de açúcar na urina. Isso é possível usando fitas de urina à venda em qualquer farmácia – aconselhe-se com o seu veterinário.
A diabetes é uma doença crónica; são poucos os animais que deixam de necessitar da administração diária de insulina. Quando descompensada pode ter consequências muito graves para a vida do animal, por isso, não deixe de estar atento aos pequenos sinais que ele lhe possa dar.
Abril 19, 2009
Coprofagia – comer fezes
A coprofagia é uma queixa relativamente frequente na prática clínica. Alguns proprietários entram na consulta horrorizados, dizendo que o seu cão come as suas próprias fezes ou as fezes de outros animais, nomeadamente de gatos.
Normalmente, a coprofagia ocorre em animais jovens e está relacionada com distúrbios comportamentais. Durante a fase de aprendizagem do cachorro é frequente ralharmos quando não fazem as suas necessidades no local correcto. Se a repreensão for demasiado severa, o cachorro pode tentar esconder as fezes comendo-as. Este processo pode tornar-se um hábito se não for travado de imediato. Obviamente que não devemos deixar de repreender o animal se este fizer algo de errado. Contudo, devemos estar atentos ao seu comportamento.
Um outro caso de coprofagia acontece quando o cão, jovem ou adulto, come as fezes de gatos. As rações dos gatos têm um teor proteico superior às dos cães, logo as suas fezes são também mais ricas em proteína. Este facto faz com que as fezes de gato exalem um odor que pode ser de alguma forma atractivo para os cães, levando-os a ingeri-las.
Por fim, podemos ter como causa de coprofagia um problema nutricional. Se o animal não digerir bem o que come, as suas fezes possuirão um teor proteico mais elevado que o normal, tornando-as apetecível para o cão. Do mesmo modo, se a dieta do cão for demasiado rica em proteína, as suas fezes também terão alto teor proteico e o cão poderá ingeri-las.
A coprofagia nem sempre é um problema fácil de resolver.
A maior parte dos casos de coprofagia tem uma causa comportamental. Nestas situações devemos repreender o cão quando o apanhamos em flagrante. Se tiver gatos em casa, opte por colocar o seu litter num local inacessível para o cão, por forma a evitar este tipo de comportamento. Há produtos no mercado que podem ser administrados ao cão, por forma a tornar as suas fezes pouco atractivas. Contudo, a sua eficácia é muito relativa.
Quando a causa da coprofagia é nutricional, aconselhe-se com o seu médico veterinário quanto à melhor ração a administrar-lhe. Habitualmente opta-se por rações de elevada digestibilidade, de que são exemplo as dietas para problemas gastro-intestinais.
Independentemente da causa de coprofagia, nunca se esqueça de desparasitar o seu cão pois as fezes são habitualmente portadoras de ovos de vermes intestinais.
Abril 26, 2009
Intoxicação por paracetamol em gatos
O paracetamol (também conhecido por acetaminofeno) é um medicamento analgésico e anti-pirético muito usado em medicina humana. Fármacos como Ben-U-Ron, Panadol, Tylenol ou Panasorbe são bem conhecidos da nossa farmácia doméstica e todos eles têm como composto principal o paracetamol. Apesar do seu uso rotineiro em medicina humana, o paracetamol nunca deverá ser administrado a gatos.
Os gatos podem facilmente ser intoxicados por paracetamol pois o seu metabolismo de transformação do paracetamol no organismo é, de certo modo, ineficiente. Muito resumidamente podemos dizer que, nos humanos bem como noutros animais, o paracetamol é transformado no fígado por determinadas proteínas. Nos gatos a actividade dessas proteínas é muito baixa, logo há uma acumulação de produtos intermediários da transformação que são bastante tóxicos para o organismo do gato. Estes tóxicos vão danificar o fígado e os glóbulos vermelhos do gato podendo causar a sua morte.
Para termos noção da toxicidade deste fármaco para um gato, podemos dizer que 250 mg de paracetamol é suficiente para lhe provocar a morte.
Normalmente os donos, não sabendo da toxicidade do paracetamol, vêem o seu gato mais parado ou adoentado e acham que o paracetamol vai, de alguma forma, fazer com que o animal recupere. Passadas algumas horas da administração, o animal começa a exibir os sinais da intoxicação:
- vómitos e náusea;
- prostração;
- cianose (coloração azulada das mucosas);
- dificuldade respiratória intensa;
- edema (inchaço) da face e das patas;
- abaixamento da temperatura corporal;
- nos casos mais graves conduz à morte do animal.
O tratamento deve ser imediato e consiste na administração de fluidos, por forma a acelarar a eliminação dos compostos tóxicos que se encontram em circulação no organismo do gato e do antídoto do paracetamol (acetilcisteína). Se a dificuldade respiratória for acentuada, o animal deverá receber oxigénio. Mesmo com um tratamento imediato, o prognóstico do gato é sempre muito reservado, pois a destruição do fígado e dos glóbulos vermelhos pode ser de tal forma intensa que impossibilite a sobrevivência do animal.
Quanto à administração de paracetamol a cães, o efeito não é tão dramático mas também não é aconselhável pois pode provocar lesões hepáticas graves.
Nunca administre nenhum fármaco ao seu animal de estimação sem consultar previamente o seu médico veterinário assistente.
Maio 3, 2009
Como prevenir acidentes
Os acidentes com os nossos animais de estimação podem acontecer em qualquer altura. Mas, se evitarmos determinados comportamentos de risco, podemos minimizar grande parte desses acidentes.
Entre os acidentes mais comuns temos:
-
Quedas: são relativamente frequentes nos gatos, principalmente durante as estações do ano mais quentes. As janelas abertas podem ser um factor de risco acrescido para as quedas. Os gatos não têm noção dos riscos e se estiverem à janela e virem algo que lhes desperte a atenção, não hesitam em saltar, estejam eles num 1º andar ou num 5º andar. Mesmo caindo uma vez, os gatos não “aprendem” e voltam a repetir a proeza, se tiverem oportunidade para isso.
-
Atropelamentos: idas à rua de cães e gatos sozinhos ou sem trela são um factor que aumentam o risco de atropelamento. Mesmo quando acompanhados, se o seu cão ou gato não levar trela pode assustar-se com algo e fugir para a estrada.
- Afogamentos: se tem piscina em casa, use uma barreira protectora para evitar a ida do cão ou do gato para a piscina. Por vezes, mesmo com a presença duma escada na piscina o animal pode atrapalhar-se e não conseguir sair, principalmente se for um animal jovem.
- Ingestão de corpos estranhos: muito mais que os gatos, os cães são especialmente predispostos a comer coisas que não devem. Embora a ingestão de corpos estranhos seja mais frequente em cachorros, há animais adultos e geriátricos que também o fazem. Se for esse o caso, evite ter por casa objectos soltos e de fácil acesso para eles e quando for passeá-los esteja atento para não ingerir nada estranho ou opte por usar um açaime se for impossível evitar que eles “aspirem” as ruas.
- Envenenamentos: produtos de limpeza doméstica, insecticidas, produtos de jardinagem e medicamentos devem todos eles estar devidamente armazenados e fora do alcance do seu animal de estimação.
- Golpe de calor: chegado o tempo quente, certifique-se que proporciona sempre água fresca bem como sombras ao seu animal se este estiver ao ar livre. Nunca o deixe dentro do carro ao sol, mesmo que deixe uma janela ligeiramente aberta.
- Hipotermia: aplica-se nos animais recém- nascidos e que não conseguem regular a sua temperatura corporal. Tenha sempre o local aquecido com uma temperatura ambiente constante. Se necessário, compre uma botija de água quente para os manter sempre quentes.
Não se esqueça de ter sempre no seu telemóvel o contacto de um serviço veterinário de urgências; assim, numa situação urgente, não precisará de perder tempo à procura do veterinário de serviço.
Maio 9, 2009
Intoxicação por chocolate em cães
Para a maior parte de nós, o chocolate é um verdadeiro pecado que proporciona as delícias de todos e cujo único defeito é poder colocar uns quilitos a mais na nossa balança. Para os cães, o chocolate é igualmente delicioso mas potencialmente letal. O cacau, principal matéria-prima do chocolate, contém um estimulante natural denominado teobromina. Nos cães, a teobromina é especialmente tóxica afectando o sistema nervoso central (SNC), o aparelho gastro-intestinal e o sistema cardiovascular.
Durante as épocas festivas temos frequentemente chocolate em casa, daí a intoxicação nos cães ser mais frequente nestas alturas do ano. Se o cão consumir teobromina em quantidade significativa, poderá começar a exibir os sinais de intoxicação. A dose tóxica de teobromina para os cães e cerca de 100-200 mg/kg. Se pensarmos que uma tablete de chocolate de meio-amargo com cerca de 200g contém cerca de 1000mg de teobromina, podemos dizer que, num cão com cerca de 10 kg, ingerir uma tablete inteira é potencialmente letal. Abaixo estão indicadas as concentrações de teobromina para os diferentes tipos de chocolate:
- chocolate de leite: 154 mg teobromina/100g
- chocolate meio-amargo: 528 mg teobromina/100g
- chocolate amargo: 1365 mg teobromina/100g
Assim sendo, quanto maior o teor de cacau do chocolate, maior a sua toxicidade para o cão. Os cães de raças pequenas bem como os cachorros, correm maior risco de desenvolverem toxicidade devido ao seu baixo peso corporal.
Após a ingestão, o cão poderá exibir os seguintes sintomas:
- excitação;
- irritabilidade;
- taquicárdia (aumento do ritmo cardíaco);
- poliúria (aumento da micção);
- tremores musculares;
- vómitos;
- diarreia;
- crises convulsivas.
Todos estes sintomas podem progredir para insuficiência cardíaca, coma e mesmo morte, 12 a 36 horas após a ingestão do tóxico.
Se suspeita que o seu cão ingeriu chocolate, leve-o de imediato ao seu médico veterinário assistente. Quanto a tratamento, não existe um verdadeiro antídoto para este tipo de tóxico, que permanece no organismo do animal cerca de 18h e a terapia deve adequar-se ao tipo de sintomas exibidos pelo animal. Se a ingestão for recente é fundamental induzir o vómito e administrar carvão activado para ajudar a neutralizar o tóxico. O animal deve de imediato ser colocado a soro. Se o animal tiver convulsões, devem administrar-se anticonvulsivos por forma a pará-las o mais rapidamente possível. A monitorização cardíaca é fundamental nesta intoxicação.
O prognóstico depende da gravidade da sintomatologia. Se nas 24 a 48 horas seguintes, o animal não apresentar sinais de insuficiência cardíaca nem sinais neurológicos o prognóstico é bastante favorável.
Lembre-se de guardar os chocolates em local seguro, principalmente nos dias festivos em que a atenção prestada ao seu cão pode ser menor.
Maio 16, 2009
Acne felino
O acne felino é um problema dermatológico bastante frequente nos nossos gatos. Pode afectar gatos de qualquer idade, de qualquer raça, machos ou fêmeas. Localiza-se, essencialmente, a nível do queixo e dos lábios do gato.
No acne, os folículos das glândulas sebáceas, presentes naturalmente no queixo do animal, ficam obstruídos, dando origem aos vulgarmente denominados “pontos negros”. Estes pontos negros incham, infectam e dão origem a pústulas.
A causa do acne felino é desconhecida. Contudo, existem vários factores que podem desencadear o processo:
- stress;
- grooming insuficiente;
- hiperplasia das glândulas sebáceas;
- alergias alimentares;
- uso frequente de recipientes de plástico para a alimentação: o plástico, por ser poroso, é uma fonte de bactérias, que rapidamente se transferem para o queixo do animal. Acredita-se também que há gatos que fazem alergia ao próprio plástico.
Os sintomas do acne felino são a presença de pontos negros no queixo e lábios do animal, dando a aparência de sujidade. Nos casos mais graves, em que já há uma infecção bacteriana secundária, o animal pode apresentar a pele inflamada e com focos de pús.
O tratamento para o acne depende, obviamente, da sua gravidade, mas o objectivo principal é remover o excesso de sebo presente na pele do animal. Nos casos ligeiros opta-se por tratamentos tópicos:
- soluções de lavagem à base de clor-hexidina;
- retinóides e vitamina A;
- pomadas com antibióticos e corticosteróides.
Nos casos graves, além do tratamento tópico referido acima, optamos também por tosquiar a zona afectada para permitir uma melhor limpeza da pele e administramos antibióticos e corticosteróides por via oral.
Se o seu gato tem tendência para acne, lembre-se sempre de evitar os recipientes de plástico, lave os comedouros e bebedouros diariamente e lave-lhe o queixo após as refeições com uma solução antisséptica.
Maio 24, 2009
A cegueira
A cegueira nos nossos animais pode ser tanto progressiva como súbita. Indepedentemente da sua causa, a perda de visão não significa sofrimento para o animal. A sua capacidade de adaptação é extraordinariamente elevada, podendo manter uma qualidade de vida bastante elevada.
Quando a cegueira é progressiva, como acontece no processo de cataratas, o animal vai-se adaptando à sua nova condição, recorrendo-se dos seus outros sentidos, nomeadamente o olfacto. O dono muitas vezes nem se apercebe que o seu cão ou gato cegou. Apercebe-se apenas que a sua companhia vê pior em ambientes menos familiares.
Já no caso da perda súbita de visão, como acontece nos descolamentos de retina, a adaptação do animal torna-se bem mais complicada e o dono tem perfeita noção de que o animal não está a ver, pois o seu comportamento muda repentinamente.
Infelizmente, grande parte dos casos de cegueira nos nossos animais são irreversíveis. Nestes casos, o dono desempenha um papel fundamental para a adaptação do seu animal. Pequenos gestos podem ser de grande importância para ajudá-los a enfrentar a cegueira de forma mais confiante e natural:
- Não redecore a sua casa: o animal conhece bem “os cantos à casa”; se resolver redecorá-la nesta fase da sua vida, ele vai perder a sua capacidade de orientação.
- Remova todo o tipo de objectos potencialmente perigosos (pontiagudos ou afiados) que possam estar ao seu alcance.
- Se tinha o hábito de passeá-lo na rua pode continuar a fazê-lo desde que opte pelos locais habituais; nunca em situação alguma deverá deixá-lo passear sozinho na rua.
- Evite o acesso a escadas e piscinas colocando barreiras protectoras.
- Se tiver outro animal em casa opte por colocar neste um pequeno sino na sua coleira: este gesto dará uma maior confiança ao seu animal cego que mais facilmente o localizará.
Lembre-se que o mais importante em todos estes gestos é a sua paciência com ele para vos ajudar na adaptação.
Maio 31, 2009
Lipidose hepática felina
A lipidose hepática felina, vulgarmente denominada por doença do fígado gordo, caracteriza-se por uma acumulação de gordura dentro das células do fígado (hepatócitos). Esta acumulação produz uma alteração grave na função hepática que, se não for tratada agressivamente, pode ser fatal para o gato.
A maior parte dos casos de lipidose hepática está associada a gatos obesos e o factor desencadeador da doença parece ser o stress a que o animal possa ser sujeito.
Por stress entende-se qualquer alteração na rotina ou no ambiente do gato (mudança de alimentação, mudança de casa, presença de um novo membro na família, entre outros) ou mesmo alguma doença concomitante que lhe conduza a uma diminuação do apetite.
Os sintomas mais frequentes da lipidose hepática são:
- depressão;
- anorexia com perda de peso acentuada;
- vómitos;
- icterícia (mucosas amareladas);
- hepatomegália (aumento do tamanho do fígado), nem sempre frequente;
- sinais neurológicos, nos casos mais graves.
A suspeita de lipidose hepática baseia-se no historial clínico do animal (gato obeso com perda de peso significativa sem causa aparente) e nos sintomas exibidos. Perante isto, efectuam-se exames complementares de diagnóstico nomeadamente:
- análises sanguíneas: revelam alteração dos parâmetros hepáticos;
- radiografia abdominal: revela um fígado anormalmente grande;
- ecografia: revela alterações evidentes em todo o parenquima hepático.
Um diagnóstico precoce é a chave para o sucesso no tratamento da lipidose hepática. Perante a confirmação da doença há que garantir um suporte nutricional intensivo. Deste modo, o gato deve ser alimentado com comida hiper-proteica e hiper-calórica e devemos garantir que tem uma ingestão calórica diária suficiente para o seu peso. Dado que na maior parte dos casos o gato está anoréctico, optamos por lhe colocar um tubo de alimentação no esófago que permite ao dono alimentá-lo em casa sem lhe criar mais stress. Nos casos mais graves o animal é colocado a soro para repôr o seu equilíbrio electrolítico, são administrados antibióticos para controlar eventuais infecções secundárias e ádministrados anti-ácidos e anti-vomitivos para evitar a náusea que o animal sente pela comida.
Em qualquer uma das situações, sejam elas mais ou menos graves, o tratamento e a recuperação total do gato são demoradas, podendo levar semanas até o animal recuperar totalmente o seu apetite. Cerca de 30% dos gatos não reagem ao tratamento e morrem.
Uma das melhores formas de prevenir a lipidose hepática é manter o gato com peso normal. Se ele tem excesso de peso aconselhe-se com o seu veterinário sobre o melhor programa para redução de peso. Não opte por lhe reduzir dastricamente a quantidade de comida nem fornecer-lhe comida que ele não goste, pois estas situações podem ser suficientes para desenvolver lipidose hepática. Se o seu gato perdeu apetite repentinamente, leve-o de imediato ao seu médico veterinário.
Junho 7, 2009
Retenção de dentes de leite em cachorros
Nos cachorros a dentição de leite começa a surgir por volta das 4 semanas de idade. Esses dentes de leite (também designados por dentes decíduos) vão sendo substituidos pelos definitivos a partir dos 3 meses de idade e aos 7 meses o cachorro já deverá ter toda a sua dentição definitiva completa. Contudo, podemos ter animais em que alguns dos dentes de leite ficam retidos, ou seja, o dente definitivo surge mas o dente de leite acaba por não cair ficando, normalmente, atrás do definitivo.
A retenção de dentes de leite é mais frequente em cães de raça pequena e os dentes que normalmente ficam retidos são os caninos, mas pode surgir com qualquer dente. Nos gatos, a retenção de dentes de leite não é habitual.
Quando o dente de leite fica retido é importante removê-lo o quanto antes pois os dentes definitivos podem ter um crescimento defeituoso devido à sua má oclusão, a acumulação de comida torna-se mais frequente, logo a probabilidade do aparecimento de tártaro aumenta e, nos casos mais graves pode mesmo haver lesões a nível da gengiva do cachorro.
Se notar que o seu cachorro aos 7 meses de idade tem dentição dupla opte por dar-lhe um granulado de ração de dimensão superior para o obrigar a mastigar e ajudar a soltar o dente de leite. Se mesmo assim o dente não cair, leve-o ao seu médico veterinário assistente para que este proceda à sua remoção cirúrgica.
Junho 14, 2009
Esgana canina
A esgana canina é uma doença viral altamente contagiosa que afecta o aparelho respiratório, digestivo e o sistema nervoso central do cão. Pode atingir animais de qualquer idade contudo, afecta sobretudo cachorros não vacinados entre os 3 e os 6 meses de idade, sendo grande parte das vezes fatal. Os animais adultos afectados por esta doença têm uma maior resistência à doença. Devido ao desenvolvimento dos planos vacinais nos cachorros, a incidência de esgana sofreu uma redução muito significativa nos últimos anos.
O vírus da esgana (CDV) transmite-se pelo ar, daí a sua elevada contagiosidade. Assim que é inalado, dissemina-se rapidamente pelo organismo do animal e os sintomas começam a surgir. A febre é o primeiro sinal da doença- aparece normalmente 3 a 6 dias após a contaminação. Após a febre, os sintomas podem variar bastante, dependendo da estirpe viral e do sistema imunitário do cachorro. Assim podemos ter:
- corrimento ocular e nasal;
- diarreia e vómitos;
- anorexia e prostração;
- pneumonia;
- sinais neurológicos nos casos de esgana nervosa – paralisia, “tiques” nervosos e convulsões nos casos mais graves.
O diagnóstico de esgana é baseado no historial clínico do animal (normalmente são cachorros não vacinados que já vão à rua), nos sintomas e em análises sanguíneas.
O tratamento consiste em manter o animal hidratado devido às perdas no vómito e diarreia, forçar a alimentação, fornecer anti-vomitivos e antibióticos e controlar as convulsões. Grande parte dos cachorros, apesar do tratamento de suporte agressivo, acaba por morrer. Os que sobrevivem podem ficar com sequelas nervosas (“tiques”), hipoplasia do esmalte (os dentes ficam com um aspecto amarelado e gasto) e sensibilidade gastro-intestinal.
A esgana é uma doença com um prognóstico muito reservado que pode conduzir à morte do cachorro. Nunca esqueça que se ele não estiver vacinado com a primo-vacinação não pode ir à rua pois arrisca-se a ser contaminado.
Se notar que o seu cachorro não quer comer e está prostrado leve-o de imediato ao veterinário, não espere pelo dia seguinte.
Junho 21, 2009
Patologia dos sáculos anais
Os sáculos anais, também chamados de glândulas anais, localizam-se ao redor do anûs e permitem ao animal marcar o território e “comunicar” com outros animais, uma vez que cada sáculo anal tem um odor único e muito intenso que o identifica (há quem o assemelhe a odor a peixe). Quando o animal defeca, os sáculos anais são esvaziados e uma pequena porção da sua secreção fica por cima das fezes. Isto permite ao animal que as cheirar identificar quem ali esteve.
A patologia dos sáculos anais surge quando o cão ou o gato não esvazia totalmente a glândula durante a defecção. O ducto da glândula entope e a glândula enche, dando origem a infecções (saculites anais) e abcessos. O animal sente as glândulas cheias e começa a lamber constantemente o anûs e a arrastá-lo no chão (posição de trenó). Esta patologia é mais frequente nos cães, especialmente nos de raça pequena, contudo também se observa em gatos.
Quando os sáculos anais começam a ficar cheios, o dono ou o veterinário deverá esvaziá-los pressionando a área em redor do anûs. Existem animais que nunca conseguem esvaziar correctamente os sáculos quando defecam, por isso devemos estar atentos ao seu comportamento para os esvaziarmos assim que tiverem cheios. Normalmente, para estes animais é necessário um esvaziamento semanal ou quinzenal, por forma a prevenir uma eventual saculite anal.
Se a saculite anal já está presente o animal terá de fazer antibiótico durante pelo menos 8 dias. Podem-se aplicar pomadas locais que ajudam a diminuir a inflamação da zona anal. As saculites anais dão um desconforto acentuado no animal principalmente se estiver na fase do abcesso, por isso alguns podem retrair-se na hora de defecar – os analgésicos são fundamentais nestes casos.
Uma alimentação rica em fibra é fundamental nos animais que fazem saculites anais com muita frequência. A fibra produz um volume fecal maior fazendo com que haja maior pressão nos sáculos aquando da saída das fezes, facilitando o seu esvaziamento. Se mesmo com este tipo de alimentação o animal continuar a ter saculites, podemos optar pela remoção cirúrgica das glândulas, no entanto existe o risco, apesar de baixo, do animal se tornar incontinente fecal.
Junho 28, 2009
Dermatofitoses – “Tinha”
Designa-se por dermatofitose todas as infecções de pele provocadas por fungos. Os fungos mais frequentes são Microsporum canis, Microsporum gypseum e Trichophyton mentagrophytes. Nos nossos animais de companhia, o género mais frequente é o Microsporum e, vulgarmente, designamos esta dermatofitose por “tinha”.
Todos os mamíferos podem contrair dermatofitoses, incluindo os humanos. No entanto, a maior parte dos mamíferos torna-se imune às dermatofitoses e não exibe sinais da doença, excepto se estiverem imunossuprimidos ou se forem muito jovens ou muito idosos. Daí ser mais frequente encontrar dermatofitoses em cachorros e gatinhos.
As lesões de “tinha” são normalmente áreas circulares, descamativas, sem pêlo ou com pêlo muito quebradiço, com alguma vermelhidão, podendo ou não existir prurido. Localizam-se normalmente a nível do focinho, orelhas, patas e cauda. Nos cachorros a “tinha” restringe-se, habitualmente, a uma lesão isolada. Nos gatos temos, habitualmente, uma “tinha” mais generalizada.
O diagnóstico da dermatofitose pode ser feito usando um aparelho especial denominado Lâmpada de Wood de luz ultravioleta que, quando percorre o corpo do animal, torna as lesões verde fluorescente. Também podemos fazer uma colheita de pêlos e colocá-los num meio especial para crescimento de fungos ou observá-los ao microscópio para encontrar eventuais esporos dos fungos.
As dermatofitoses são patologias que exigem um tratamento contínuo e demorado (pelo menos 1 a 2 meses). Por isso, a persistência do dono é fundamental para o sucesso do tratamento.
Os animais afectados estão constantemente a disseminar esporos dos fungos pelo meio ambiente e estes esporos resistem durante meses nesse mesmo meio, daí ser essencial uma limpeza profunda do local onde o animal se encontra, nomeadamente camas, tapetes, canis ou gatis. Sejam lesões localizadas ou generalizadas é essencialmente lavá-las periodicamente com champôs à base de clorhexidina, que é um desinfectante para a pele extremamente eficaz para a manter saudável. Nas lesões localizadas optamos por loções ou pomadas de aplicação tópica em cada lesão. Nas lesões generalizadas, além das loções e pomadas, devemos administrar fármacos anti-fúngicos por via oral. Em qualquer uma das situações é de extrema importância que o dono siga à risca todas as indicações do tratamento e que nunca o páre até o médico veterinário achar que o deve fazer, mesmo que todas as lesões já tenham desaparecido da pele do animal.
Julho 5, 2009
Bolas de pêlo (Hairballs)
Os gatos são animais que passam grande parte do seu tempo a lamberem-se e a lavarem-se (grooming), engolindo grandes quantidades de pêlo. Normalmente esse pêlo ingerido é eliminado nas fezes. Quando isso não acontece, o pêlo acumulado forma densos aglomerados a nível do estômago e intestino delgado do gato, que lá permanecem até o gato os vomitar. A esse aglomerados chamamos bolas de pêlo.
Um gato com bolas de pêlo apresenta sintomas relacionados com o sistema digestivo, nunca com o sistema respiratório. Vómitos, perda de apetite e obstipação são os sintomas mais frequentes nestes animais.
Se o número de bolas de pêlo for elevado podem bloquear o tracto intestinal e o gato não as conseguirá eliminar pelas fezes nem sequer vomitá-las. Este bloqueio, denominado por impactação, é um problema de extrema gravidade que põe em risco a vida do animal se não for detectado a tempo. Nalguns casos só a cirurgia para remoção das bolas de pêlo permite a resolução do problema.
No mercado existem inúmeros produtos que ajudam a eliminar as bolas de pêlo do gato. A maior parte deles tem como ingrediente base um óleo não digerível que lubrifica o tracto gastro-intestinal, permitindo uma eliminação mais eficaz do pêlo ingerido, evitando que se formem os aglomerados. No entanto, estes produtos devem ser usados rotineiramente para que sejam eficazes – aconselha-se que o gato o ingira uma vez por semana durante todo o ano. As dietas com elevado teor de fibra também auxiliam na eliminação das bolas de pêlo. Uma outra forma de evitar uma ingestão tão acentuada de pêlo é escovando o seu gato regularmente para remoção do excesso de pêlo morto.
Tenha sempre em conta que nas alturas do ano em que o seu gato está na mudança de pêlo, este problema torna-se bem mais frequente. Aconselhe-se com o seu médico veterinário sobre o produto mais eficaz para o seu gato e lembre-se que a prevenção é a melhor solução.
Julho 12, 2009
Como levar o seu cão a passear de trela
Após a aquisição de um cão, vem a árdua tarefa de ensiná-lo a passear na rua de trela e nada melhor do que começar em cachorro. Os passeios na rua devem ser um momento de tranquilidade, tanto para o cão como para o dono. No entanto, muitos de nós sabem que a tranquilidade rapidamente se transforma em caos e frustração. Para que isso não aconteça, nada melhor que pedir instruções a quem sabe. O artigo desta semana é publicado por um treinador de cães que nos irá indicar algumas dicas preciosas sobre como passear o nosso cão de trela, o seu nome, Gonçalo Ribeiro.
Como levar o seu cão a passear de trela
Para levar o seu cão a passear à rua é necessário antes de mais, demonstrar-lhe quem manda e a seguir definir as regras.
As regras começam em casa. Quando pegamos na trela, o cão associa a passear, a ir à rua e isto cria uma certa excitação, que por vezes se torna descontrolada, como ladrar, saltar para o dono, etc.
A primeira coisa a fazer é acalmar o cão através de várias formas:
-
ficar imóvel e esperar que o cão acalme, ignorando-o;
-
caso ele salte, virar-lhe as costas;
-
ir até uma determinada zona da casa, fingindo que estamos a realizar alguma tarefa;
-
por último, caso o cão não acalme, pousar a trela numa bancada ou pendurá-la.
Após verificar que o cão está calmo, voltar a pegar na trela. Isto poderá demorar algum tempo, por isso é preciso que o dono tenha tempo disponível, porque um cão calmo é um cão controlado.
Uma vez o cão calmo, colocar a trela e andar calmamente. Atenção que o dono é o primeiro a sair e a entrar em qualquer local, quer seja de casa, do prédio, do carro, etc.
Assim que saímos a porta de acesso à rua, a primeira coisa que o cão vai fazer é puxar a trela e tentar ir à frente do dono. Normalmente, os donos puxam a trela para trás, o que está absolutamente errado. O facto dos donos puxarem a trela para trás assim que o cão dá um puxão, significa que estão a entrar em conflito com o cão e não é isso que se pretende.
Temos que demonstrar ao cão que não tem que dar puxões, nem ir à nossa frente, porque quem manda é o dono.
Assim que o cão dá um puxão temos que nos manter no sitio onde estamos, na posição em que estamos e aguardar que o cão tenha uma reacção ou olhe para trás ou se sente. Após ter efectuado qualquer uma destas acções podemos avançar, mas um passo de cada vez – já sabemos que vai puxar outra vez, por isso, é necessário darmos passos pequenos e seguros.
Este treino requer tempo por parte do dono e calma, muita calma, porque é um treino lento e gradual.
Costuma-se dizer que o cão é o espelho do dono por isso, um dono calmo e tranquilo tem um cão controlado.
Julho 19, 2009
Espirro invertido (“reverse sneezing”)
O espirro invertido ou “reverse sneezing” é uma condição que se caracteriza por um som respiratório acentuado, como se o cão estivesse a inalar ar de forma violenta. No espirro normal, o percurso do ar faz-se no sentido oposto – o ar sai violentamente pelo nariz do cão.
Durante o espirro invertido, o cão faz inspirações pronunciadas e rápidas, estica o pescoço e abre as patas dianteiras como se tentasse respirar melhor. O forte som emitido com este espirro faz com que os donos pensem que o cão tem algum objecto estranho no nariz. Apesar do seu som estrondoso, o espirro invertido é muito momentâneo – pode ir de alguns segundos a um minuto – e, normalmente, inofensivo. O cão rapidamente recupera a sua condição normal, não exigindo nenhum tipo de tratamento.
Acredita-se que o espirro invertido tem como causa uma irritação a nível do palato mole, que conduz a um espasmo que diminui temporariamente a capacidade respiratória do cão. Normalmente, está associado a períodos de excitação como a chegada do dono a casa ou o passeio diário. Nestes casos é conveniente acalmá-lo para que o episódio acabe o mais rapidamente possível.
As raças braquicéfalas, como é o caso dos Boxers e dos Bulldogs, podem exibir sons respiratórios que se assemelham ao espirro invertido, devido ao prolongamento do seu palato mole. Contudo, será importante excluir outros problemas que estas raças habitualmente possuem, pois estes sons podem camuflar problemas respiratórios graves ou potencialmente graves.
Julho 26, 2009
FIV – Vírus da Imunodeficiência Felina
O vírus da imunodeficiência felina, vulgarmente denominado por FIV, é o responsável pelo enfraquecimento do sistema imunitário do gato, tornando-o mais susceptível a contrair outras doenças que, habitualmente, um gato saudável teria mais dificuldade em contrair.
O FIV faz parte da família dos retrovírus, que engloba, entre outros, o vírus da leucose felina (FeLV) e o vírus da imunodeficiência humana (HIV). Estes vírus são específicos para cada espécie, ou seja, um retrovírus felino só atinge gatos e um retrovírus humano só afecta humanos.
O FIV transmite-se através da dentada com gatos infectados ou de mães para filhos durante a gestação ou a amamentação. Ao contrário do FeLV, o FIV não se transmite por contacto prolongado com gatos infectados, pois aloja-se, essencialmente, a nível da saliva. Assim sendo, os gatos machos inteiros que vão à rua são o grupo de maior risco, pois mais facilmente se envolvem em brigas com outros gatos de rua.
Os gatos FIV-positivos podem exibir os mais variados sintomas:
- infecções a nível da boca;
- doenças respiratórias;
- doenças oculares;
- doenças gastro-intestinais;
- problemas de pele;
- doenças neurológicas;
- neoplasias;
- linfadenopatia (aumento generalizado dos gânglios linfáticos).
Os sintomas são muito variáveis conforme o estado da seropositividade. Determinados animais FIV-positivos podem nao exibir quaisquer sintomas durante anos.
A detecção do FIV é feita através de testes rápidos que detectam anticorpos. Todos os animais com uma origem desconhecida devem ser testados para FIV. Se forem positivos, não deverão ter novamente acesso à rua, pois poderão contaminar outros gatos. Se for um macho inteiro, opte por castrá-lo para que o instinto de dominância e de vadiagem se dissipe e não se envolva em brigas com outros gatos.
Não existe tratamento específico para o FIV, mas sim para todas as doenças concomitantes. Um animal FIV-positivo pode fazer uma vida perfeitamente normal mas o dono deve ter sempre presente que este não deverá ter acesso à rua. Se existem outros gatos no agregado familiar, deve ter noção que o risco de contágio existe, principalmente se forem gatos pouco amigáveis e que briguem.
Não existe, actualmente, nenhuma vacina eficaz para o FIV. Aconselhe-se com o seu médico veterinário se ainda persistirem dúvidas acerca desta doença.
Agosto 15, 2009
Otohematomas
Os otohematomas ou hematomas auriculares são pequenas acumulações de sangue e líquido sanguinulento entre a pele e a cartilagem da orelha do animal, formando autênticas bolhas no pavilhão auricular. São um problema bastante frequente nos nossos cães e gatos.
Normalmente, os donos notam um inchaço repentino na orelha do animal, cheio de liquído e extremamente doloroso ao toque. A dor vai desaparecendo com o passar dos dias, mas se o otohematoma não for tratado continuará a acumular-se líquido e pode mesmo começar a aparecer tecido fibroso na orelha do animal, podendo este desfigurar a sua estrutura normal.
Tanto os cães como os gatos podem desenvolver otohematomas, contudo é mais frequente nos cães. Os animais mais predispostos para otohematomas são todos aqueles que têm problemas crónicos de ouvidos – otites infecciosas, otites a ácaros ou otites de causa alérgica. Estas patologias provocam comichão no ouvido do animal e fazem com que ele se coce e abane a cabeça violentamente, conduzindo facilmente à formação de um hematoma.
Para tratar o otohematoma, o líquido deve ser removido através de uma punção com agulha e seringa. A quantidade de líquido sanguinolento que retiramos é, por vezes, impressionante. Após a remoção do líquido instilamos na zona do otohematoma, um corticosteróide de acção prolongada para evitar a formação de novo hematoma. Podemos também fazer um penso compressivo ligeiro que auxilia no desaparecimento total do hematoma. Se o animal tiver muita comichão é fundamental que use um colar isabelino durante alguns dias, para evitar o auto-traumatismo. Nos casos recidivantes optamos pela cirurgia. Esta consiste em pequenas incisões suturadas ao longo do pavilhão auricular.
A melhor forma de prevenir os otohematomas é evitando o auto-traumatismo do próprio animal. Se notar que ele abana muito a cabeça ou que se coça muito nos ouvidos, não hesite em levá-lo ao seu médico veterinário para que a otite seja logo tratada numa fase inicial e não haja o risco de se formar os hematomas auriculares.
Agosto 2, 2009
Hipotiroidismo canino
O hipotiroidismo é uma doença relativamente frequente nos cães mas que, raramente, ocorre nos gatos. Quando não existe hormona da tiróide suficiente em circulação no organismo do cão, dizemos que ele sofre de hipotiroidismo. A grande maioria dos casos de hipotiroidismo canino resultam da destruição ou atrofia da própria tiróide.
Aparece habitualmente em cães de meia-idade, sendo mais frequente nos cães de raças médias e grandes. Certas raças como o Golden Retriever, o Retriever Labrador, o Doberman e o Cocker Spaniel parecem ser mais predispostas para desenvolver hipotiroidismo.
Os sintomas mais frequentes são:
- apatia;
- perda de pêlo;
- excesso de peso;
- hiperpigmentação da pele;
- bradicárdia;
- aumento dos níveis de colesterol sanguíneo.
A conjugação destes sintomas levam o veterinário a suspeitar da presença desta patologia e a efectuar o doseamento dos níveis de hormonas da tiróide.
Após a confirmação de hipotiroidismo, há que iniciar o tratamento que consiste na suplementação com hormona da tiróide sintéctica, denominada levotiroxina. Periodicamente, o animal deve efectuar análises para reavaliação da medicação, que será adminstrada durante toda a sua vida. Assim que os níveis da hormona da tiróide estão estabilizados, os sintomas começam a desaparecer.
Agosto 9, 2009
Reacções alérgicas: urticária e angioedema
A urticária e o angioedema (inchaço da face) fazem parte de reacções alérgicas que, tanto cães como gatos, podem ter perante os mais diversos alergenos. Os alergenos mais comuns são plantas, picadas de insectos, detergentes, fármacos e mesmo vacinas.
A urticária caracteriza-se por pequenos altos por todo o corpo do animal, ficando o pêlo levantado nessas zonas. O animal pode ter ou não prurido.
O angioedema caracteriza-se por um inchaço da cabeça do animal, especialmente no focinho e ao redor dos olhos. Quando é muito acentuado, o animal fica com “aparência de Shar Pei” com os olhos semi-cerrados. No angioedema existe normalmente prurido.
Estas reacções alérgicas aparecem, habitualmente, vinte minutos após o contacto com o alergeno. Na maior parte dos casos, são auto-limitantes e não põem em risco a vida do animal. Contudo, existem situações raras em que o angioedema pode dar origem a um inchaço das vias respiratórias do animal, causando-lhe dificuldade respiratória acentuado. Nesses casos, o animal deve ser de imediato levado para o veterinário.
O tratamento das reacções alérgicas consiste na administração de corticosteróides de acção rápida. Por vezes, nos casos menos graves, a administração de anti-histamínicos pode ser suficiente.
As reacções alérgicas são muito difíceis de prever, a menos que saibamos qual o alergeno em causa. Se notar que o seu animal está com uma reacção alérgica, consulte o seu médico veterinário assistente de imediato para que ele possa avaliar a gravidade da situação.
Agosto 24, 2009
Vómito – um sintoma frequente
O vómito é uma das causas mais frequente para idas ao veterinário. Consiste na expulsão forçada do conteúdo gástrico através da boca. Não consideramos o vómito uma patologia propriamente dita, mas sim um sintoma de uma série de patologias mais ou menos graves.
Se o animal vomitar uma única vez, estiver alerta e bem disposto, provavelmente não justificará levá-lo ao veterinário. Isto acontece por exemplo quando comem ervas. No entanto, se o animal vomitar várias vezes e estiver apático e prostado, deverá levá-lo de imediato ao seu veterinário.
As causas de vómito são muito variadas e nem sempre estão relacionadas com o aparelho digestivo. Assim sendo, temos causas:
- gastro-intestinais;
- infecciosas: virais e bacterianas;
- hepáticas;
- renais;
- endócrinas;
- neurológicas, entre outras.
Perante esta variedade de causas, percebe-se a importância de fazer um exame clínico completo, com eventual recurso a exames complemetares de diagnóstico (análises de sangue, radiografia, endoscopia, ecografia, entre outros), para deteminar a causa exacta do vómito e, assim efectuar a terapeutica adequada. Quando a causa é gastro-intestinal, o tratamento passa pela administração de anti-ácidos e anti-vomitivos e introdução de uma dieta gastro-intestinal. Se os vómitos persistirem, o animal deve ser internado e colocado a soro para correcção de eventuais desidratações.
Por fim, o prognóstico varia muito conforme a causa do vómito.
Agosto 31, 2009
Úlceras da córnea
As úlceras da córnea consistem em feridas na primeira camada da córnea (constituída por quatro camadas), ficando as restantes camadas expostas a agressões externas, nomeadamente, à invasão de bactérias, causando infecção do olho.
As úlceras podem tornar-se mais profundas e invadir as camadas seguintes da córnea. Nestes casos, a infecção pode atingir várias partes do olho e as lesões podem ser ou não reversíveis.
As úlceras da córnea são normalmente de causa traumática:
-
autotraumatismo: animais q se coçam e ferem a córnea com as unhas;
-
corpos estranhos: pedaços de arvoredos e ervas;
-
entropion ou cílios ectópicos: presença de cílios na posição errada;
-
lutas entre animais.
Os sintomas mais frequentes são:
-
inflamação;
-
fotossensibilidade: o animal semi-cerra os olhos aquando da presença de luz intensa;
-
dor intensa;
-
corrimento purulento: pode estar ou não presente.
O diagnóstico das úlceras da córnea é feito através do exame minucioso do olho do animal para detectar possíveis corpos estranhos ou cílios ectópicos. Usa-se, normalmente, um corante chamado fluoresceína para detectar a úlcera, que cora de verde.
As úlceras não complicadas devem começar a cicatrizar em 4-5 dias após o início do tratamento. As que não cicatrizam neste tempo, já devem ser consideradas úlceras complicadas. Em ambos os casos, o tratamento passa pelo uso de colírios e pomadas oftálmicas. Nas mais complicadas, pode mesmo ser necessário uma intervenção cirúrgica.
As úlceras da córnea têm um prognóstico favorável se forem tratadas de imediato. Se aprofundarem e/ou infectarem podem mesmo causar perfuração da córnea e o seu prognóstico será bem mais reservado. Se notar que o seu animal exibe sinais de infecção ocular, leve-o de imediato ao seu veterinário assistente.
Setembro 6, 2009
Parvovirose canina
A parvovirose canina é uma doença altamente contagiosa que se caracteriza por uma diarreia profusa e, habitualmente, sanguinolenta. Atinge, essencialmente, animais jovens (mais frequente nos cachorros até aos 6 meses de idade) não-vacinados que contactam com o vírus.
O parvovírus está presente nas fezes dos animais infectados e pode sobreviver no meio ambiente durante largos meses se tiver as condições ideais de crescimento. Isto significa que, perante um animal infectado, devemos ter cuidados redobrados no que respeita à desinfecção do local.
O período de incubação da parvovirose varia entre 1 a 2 semanas. Durante esse período, o animal pode disseminar o vírus no meio ambiente, sem exibir qualquer sinal clínico.
Os sintomas mais frequentes na parvovirose são:
- diarreia;
- vómito;
- febre;
- prostração e desidratação intensas;
- septicémia e morte, nos casos mais graves.
A parvovirose é uma doença com uma progressão muito rápida a aprtir do momento em que o animal exibe os primeiros sintomas e, a morte do animal, pode mesmo ocorrer poucos dias depois. A partir do momento em que suspeitamos de parvovirose, o animal deve ser rapidamente isolado para iniciarmos uma terapêutica agressiva de suporte.
A terapêutica consiste na administração de fluidos para repôr todas as perdas electrolíticas que o animal está a ter com o vómito e a diarreia. O animal deve ser colocado a soro com anti-vomitivos, anti-ácidos e antibióticos. Por vezes torna-se mesmo necessário nutrição parenteral. Contudo, mesmo com um tratamento agressivo, a taxa de mortalidade desta doença nos cachorros é extremamente elevada.
A melhor forma de prevenir a parvovirose canina é respeitando o esquema vacinal que o médico veterinário estabelece para o seu cachorro e nunca o levar à rua sem antes completar esse esquema vacinal.
A parvovirose é uma doença infecto-contagiosa muito grave que atinge cães com imunidade reduzida. Não atinge gatos nem humanos.
Setembro 13, 2009
Luxação da rótula
O joelho é uma estrutura complexa constituída por músculos, tendões, ligamentos, cartilagens e ossos. Todos este componentes devem alinhar correctamente e interagir harmoniosamente, por forma a permitir um bom funcionamento do joelho. São três os ossos que estão incluidos no joelho: o fémur, a tíbia e a rótula.
A rótula aloja-se numa concavidade no final do fémur, protegendo toda a articulação do joelho. Nalguns animais, essa concavidade pode não ser suficientemente profunda para manter a rótula numa posição estável. Nesses casos a rótula fica luxada, ou seja, sai da concavidade e desloca-se, lateral ou medialmente, ao longo do joelho do animal, acabando este por deixar de apoiar correctamente a pata no chão.
A luxação da rótula pode ter como causa uma malformação congénita – a concavidade não é suficientemente pronunciada para manter a rótula fixa – ou um trauma no joelho. As raças pequenas e miniaturas estão mais predispostas para esta patologia. Também ocorre ocasionalmente em gatos.
Os sintomas podem variar conforme a gravidade da luxação. Nos casos mais graves, o animal, frequentemente, exibe claudicação acentuada e interminente com dor à manipulação. Nos menos graves, o animal pode nem exibir qualquer sintoma.
Se a luxação da rótula não for tratada, a articulação do joelho vai ficando progressivamente inflamada e com menor mobilidade, gerando-se um processo de artrose precoce.
O tratamento de eleição é a cirurgia, que tem uma taxa de sucesso bastante elevada. Por vezes os donos não se mostram muitos receptivos perante esta opção e, nestes casos, administramos anti-inflamatórios ao animal para o manter o mais confortável possível.
A luxação da rótula exige uma avaliação precoce por parte do médico veterinário assistente, por forma a evitar o aparecimento de processos de artrite e artrose num futuro próximo.
Setembro 20, 2009
Medo de ruídos
O medo de ruídos é um problema muito comum nos cães mas menos frequente nos gatos. Esse medo pode rapidamente dar origem a uma fobia, com comportamentos excessivos e persistentes por parte do animal. Os ruídos que provocam frequentemente medo nos animais são a trovoada e o fogo-de-artifício.
O medo de ruídos pode atingir qualquer animal. Contudo, os mais ansiosos são normalmente os mais afectados.
O comportamento do dono pode afectar a severidade do medo. Por um lado, se o dono estiver nervoso durante as trovoadas, o animal vai ter ainda mais medo. Por outro lado, se o dono tiver uma reacção de protecção exagerada, o animal entenderá isso como se houvesse uma razão real para ter medo.
Os sinais de fobia a ruídos são muito variáveis de animal para animal. No entanto, os mais frequentes são:
- esconder (o sinal mais frequente nos gatos);
- urinar;
- defecar;
- salivar excessivamente e mastigar;
- aumento da frequência cardíaca e respiratória;
- tremer;
- tentativa de fuga ou procura exagerada do dono;
- vocalização (ladrar, uivar ou miar excessivamente).
O tratamento dos medos e fobias passa mudança do comportamento do dono, mudança de ambiente e/ou medicação.
O dono não deve em ocasião alguma punir ou mimar em demasia o seu animal. Deve adoptar uma postura calma e tranquila, de forma a que o seu animal se sinta o menos ansioso possível.
A mudança de ambiente pode reduzir o nível de stress do animal. Pode optar por ligar a TV ou colocar música para atenuar o ruído negativo e levar o seu animal para um local de menor dimensão. Deve também fechar todas as janelas e portas para atenuar qualquer ruído exterior.
Quanto à medicação, pode ser administrada antes do ruído, durante o ruído ou por um período de tempo relativamente longo da vida do animal, como preparação para o ruído. Existem inúmeros fármacos que podem ser administrados ao animal para atenuar a fobia do animal. Consulte o seu médico veterinário sobre o melhor fármaco a usar no seu animal e nunca, em situação alguma, medique o seu animal com calmantes ou relaxantes que possa estar a tomar.
A diminuição dos medos exige tempo, dedicação e muita calma por parte dos donos. São processos morosos mas que podem dar frutos a médio ou longo-prazo.
Setembro 27, 2009
Check-up regular
Todos nós sabemos que a melhor forma de lidar com os problemas de saúde do seu animal é prevenindo-os ou detectando-os numa fase muito precoce. Para que isso seja possível, deve levar o seu companheiro regularmente ao seu médico veterinário para efectuar um exame clínico completo. Essa regularidade varia conforme a idade e a condição do animal – os jovens devem fazer um check-up anualmente, os geriátricos devem fazer um check-up semestral e os animais com doenças crónicas devem ser acompanhados mais regularmente, dependendo da sua doença e do seu estado de saúde.
O check-up regular passa, normalmente, pelas seguintes etapas:
- exame clínico completo
- vacinação;
- desparasitação interna e externa;
- análises sanguíneas se se justificar.
O exame clínico completo passa por examinar o animal de uma ponta à outra:
- auscultação cardíaca e pulmonar: por vezes detectam-se sopros cardíacos numa fase muito precoce com uma simples auscultação;
- palpação abdominal: permite verificar e detectar certas anomalias nos orgãos internos como por exemplo assimetria renal;
- estado da pele e do pêlo;
- membros: os problemas articulares são muito frequentes nos nossos animais;
- olhos e ouvidos: otites e conjuntivites fazem parte do dia-a-dia de um veterinário;
- boca e dentes: os donos nem sempre se apercebem do mau estado dentário do seu animal;
- condição corporal: o excesso de peso tornou-se um problema grave nos nossos animais.
A vacinação regular é essencial para prevenir determinadas doenças infecto-contagiosas nos cães e gatos. Nos cachorros e gatinhos as datas das vacinas devem ser respeitadas rigorosamente.
A desparasitação interna contra vermes intestinais deve ser efectuada pelo menos uma vez por ano em todos os animais adultos. Nos cachorros e gatinhos essa desparasitação deve ser feita mensalmente. A desparasitação externa deve ser feita para evitar pulgas, carraças e mosquitos.
Nos pacientes geriátricos e com doenças crónicas, as análises sanguíneas são fundamentais para detectar e controlar alterações sistémicas.
Um check-up regular pode fazer toda a diferença na saúde do seu animal. Não hesite em levá-lo regularmente ao veterinário, ele agradece!
Outubro 4, 2009
FeLV – Vírus da Leucose Felina
O vírus da Leucose felina (FeLV) é o responsável pela leucemia e outros tipos de cancros e imunodeficiências em gatos. Tal como o FIV, o FeLV é também um retrovírus, ou seja, é específico da espécie. Assim sendo, o FeLV só atinge os gatos.
O FeLV encontra-se em concentrações muito elevadas na saliva do animal afectado. Assim, a forma mais frequente de transmissão do FeLV é através do grooming mútuo (lavagem constante do pêlo com a língua). Outras formas de transmissão são por contacto focinho-a-focinho, dentadas, partilha de recipientes da água e comida e de mãe para filho através da placenta e do leite. A transmissão exige habitualmente um contacto prolongado entre os animais.
Quando o gato é exposto ao vírus da Leucose, vários fenómenos podem acontecer:
- alguns gatos não ficam infectados, devido a uma exposição inadequada ou a uma resposta imunitária muito forte;
- outros gatos desenvolvem uma infecção latente, ou seja, são portadores do vírus mas não o transmitem nem exibem sintomas da doença;
- por último, podemos ter os gatos com infecção progressiva, que desenvolvem sintomas e outras doenças associadas ao FeLVe transmitem o vírus em grandes quantidades na saliva.
Um gato infectado com FeLV exibe sinais de virémia (presença do vírus na corrente sanguínea do animal) 2 a 4 semanas após essa infecção. Nem sempre o animal exibe sintomas da doença durante esta fase aguda. No entanto, se exibir, os mais frequentes são:
- febre;
- letargia;
- doenças gastro-intestinais;
- gengivite;
- doenças neurológicas;
- linfadenopatia (gânglios linfáticos aumentados);
- perda de peso;
- problemas respiratórios e oculares;
- problemas reprodutivos;
- anemia, entre outros.
O FeLV pode ser rapidamente detectado através de um teste rápido de sangue. Assim que o portador do vírus é reconhecido deve ser mantido dentro de casa para não contaminar outros gatos de rua. Se existirem outros gatos a partilharem o mesmo habitat do afectado, deverão ser testados e, se negativos, deverão ser vacinados. Ao contrário do FIV, para o FeLV existe vacina. Todos os gatos que têm acesso à rua devem ser vacinados para o FeLV. Aos gatos de interior evita-se administrar a vacina do FeLV, pois existem estudos que associam o aparecimento de um tipo de tumor (fibrossarcomas) ao local de inoculação da vacina. Assim sendo, optamos por administrá-la apenas a gatos que corram o risco de ser infectados.
Um gato portador de FeLV pode viver muitos anos, manifestando ou não sinais da doença. Os tratamentos são sempre paleativos, de forma a incidir no sintoma que o animal apresenta. Os gatos mais jovens são mais susceptíveis à doença.
O FeLV é uma das grandes causas de morte nos gatos domésticos – aconselhe-se com o seu veterinário sobre a melhor forma de preveni-lo.
Outubro 12, 2009
Dirofilariose ou verme do coração
A dirofilariose ou verme do coração é uma doença que atinge cães e, menos frequentemente, gatos, causada por um parasita denominado Dirofilaria immitis. A severidade desta doença está directamente relacionada com o número de parasitas presentes no organismo, a duração da infecção e a resposta do animal infectado.
Esta doença transmite-se através de um mosquito que inocula a forma larvar do parasita no organismo do animal. Cerca de 3 meses após a inoculação, a larva desenvolve-se no lado direito do coração, podendo atingir cerca de 30 cm aquando da forma adulta. Cerca de 7 meses após a infecção, já podemos encontrar formas imaturas do parasita (microfilárias) na circulação sanguínea. A picada do mosquito é a única forma de transmissão da dirofilariose.
Os sintomas da dirofilariose dependem da severidade da doença. Assim sendo, temos três estádios da doença:
- estádio 1: o animal é assintomático, não exibindo qualquer sintoma da doença;estádio 3
- estádio 2: o animal exibe tosse e intolerância ao exercício físico;
- estádio 3: a condição mais grave da doença; nesta fase o animal tem tosse, intolerância ao exercício, sinais de anemia e de insuficiência cardíaca direita, com morte do animal.
O diagnóstico da dirofilariose faz-se através de testes serológicos para detecção das microfilárias em circulação. Se o animal for positivo, deveremos posteriormente avaliar a sua condição geral, especialmente a cardíaca com electrocardiogramas ou ecocardiogramas e radiografias torácicas, para podermos iniciar o tratamento.
Durante o tratamento, o animal deverá reduzir a sua actividade física e fazer o máximo repouso possível. Nos casos mais graves poderá haver necessidade de internamento.
A melhor forma de lidar com a dirofilariose é fazendo a prevenção mensal da doença através de um profiláctico adequado. Aconselhe-se com o seu veterinário assistente sobre a melhor forma de prevenção.
Outubro 19, 2009
Hipertiroidismo em gatos
O hipertiroidismo é a patologia hormonal mais frequente em gatos. Ao contrário do hipotiroidismo dos cães, o hipertiroidismo consiste no excesso de hormona da tiróide em circulação no organismo do gato.
A maior parte dos casos de hipertiroidismo são benignos e resultam do aumento do número de células na própria tiróide. Apenas 1-2% dos casos de hipertiroidismo são causados por condições malignas. Ocorre, frequentemente, em gatos geriátricos.
Os sintomas mais frequentes de hipertiroidismo são:
- perda de peso;
- taquicárdia: aumento da frequência cardíaca;
- polifagia: aumento do apetite;
- vómito;
- polidipsia e poliúria: aumento da ingestão de água e da micção;
A suspeita de hipertiroidismo surge com base nos sintomas do animal ou na palpação da própria tiróide que, nestes gatos, está muitas vezes aumentada.
O diagnóstico definitivo passa pela medição da hormona da tiróide. Estes animais apresentam, frequentemente, complicações sistémicas, nomeadamente alterações a nível renal e hepática, sendo por isso importante fazer um check-up geral ao animal antes de iniciar o tratamento.
O tratamento do hipertiroidismo passa, habitualmente, pelo uso de fármacos que bloqueiam a síntese da hormona da tiróide, nomeadamente o metimazole. Este fármaco não cura o hipertiroidismo, apenas controla os níveis da hormona em circulação, exigindo assim uma toma regular e constante, bem como um controlo assíduo dos níveis hormonais e do estado geral do gato. Outras opções de tratamento, muito menos frequente no dia-a-dia da clínica, passam pela cirurgia ou pelo uso de iodo radioactivo.
Um gato com hipertiroidismo pode ter uma vida completamente normal, sem quaisquer limitações, mas exige um controlo regular do seu estado de saúde. Aconselhe-se com o seu veterinário assistente sobre a melhor forma de lidar com esta patologia.
Outubro 26, 2009
Como dar comprimidos a gatos
Dar comprimidos a gatos pode não ser uma tarefa muito fácil. Aliás pode ser uma tarefa bem árdua que cria um stress acrescido tanto no dono como no gato.
Se o seu gato não estiver a seguir uma dieta específica, poderá dar a medicação ao seu gato através de um pouco de comida húmida que ele goste muito. Primeiro coloque um pouco da comida sem o comprimido para que o gato não fique desconfiado e só depois coloque o “isco” com o comprimido. Nunca misture a medicação na refeição completa do gato, pois este pode não a ingerir na totalidade.
Se o seu gato não pode ingerir extras ou se não “mordeu o isco”, então a única opção será colocar o comprimido bem no fundo da boca do animal. Eis algumas dicas que pode utilizar para conseguir dar a medicação ao seu animal:
- retire o comprimido da sua embalagem e coloque-o num local de fácil e rápido acesso;
- chame o gato com um tom de voz tranquilo para o local onde deseja dar-lhe o comprimido;
- se o gato for mais activo, coloque-o embrulhado num cobertor ou toalha grande, deixando só a cabeça de fora; será conveniente cortar-lhe previamente as unhas, para evitar arranhões;
- encoste-o a um local onde ele não tenha hipótese de fuga ou coloque-o num local mais elevado, como por exemplo uma bancada ou uma mesa;
- pegue no comprimido, colocando entre o seu polegar e indicador, na ponta dos dedos;
- com a outra mão segure o maxilar superior obrigando-o a abrir a boca e inclinando ligeiramente a sua cabeça para trás;
- coloque rapidamente o comprimido no fundo da boca do gato, fechando-a de imediato;
- espere que o gato coloque a lingua de fora, como se se lambesse, pois só aí estará a deglutir o comprimido; muitos gatos conservam o comprimido “escondido” na boca, enganando, facilmente, o dono. Se o gato demorar a deglutir o comprimido poderá soprar-lhe levemente para o nariz ou massajar-lhe o pescoço, mas nunca o deixando abrir a boca;
- recompense-o sempre no final com um pequeno mimo.
Lembre-se que o sucesso desta tarefa está na rapidez usada na administração. Deve evitar diluir os comprimidos em água, pois grande parte deles são amargos e fazem com que o animal salive em demasia e mostre relutância perante qualquer tipo de medicação.
Novembro 3, 2009










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